terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pragas agricolas e controle biológico





Pragas agrícolas




Atualmente estão catalogadas inúmeras espécies de animais (maioria insetos) considerados "pragas" para o ser humano, pois atacam as lavouras ou acarretam doenças ao homem.

A vespa Cotesia flavipes é parasitóide da lagarta da broca da cana (Diatraea saccharalis). Sua eficiência no controle desta praga é comprovada cientificamente e aprovada pelos produtores e usinas, sendo o agente biológico mais utilizado no controle biológico na cana-de-açúcar.

A vespa Trichogramma é parasitóide dos ovos de várias espécies de mariposas. Sua eficiência de controle é elevada e atualmente é um dos parasitóides mais utilizados no mundo para o controle de pragas. Abaixo estão algumas das pragas agrícolas que após a realização de pesquisas científicas, comprovou-se a eficiência do controle biológico pela atuação da vespa Trichogramma spp .
Os gafanhotos alimentam-se de folhas em geral
A larva das mariposas ataca as folhas e o botão floral diminuindo a produção
A lagarta da broca da cana de açucar fura o caule onde se instala,e desvaloriza o produto
A larva de besouro ataca farinha e cereais armazenados
O percevejo da soja tambem conhecido como maria fedida alimenta-se de seiva da planta
Fonte:
http://www.megabio.com.br/pragas.html



Pesticidas


Pesticidas, Inseticidas

Os pesticidas são resultado do antigo desejo do homem de livrar-se das pragas que invadem seu modo de vida. Mas, no mundo moderno, já e conhecida a outra face de algumas destas substâncias: são venenos perigosos para a saúde e o meio ambiente. Em novembro deste ano, o Conselho da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) aprovou uma versão revisada do Código de Conduta sobre Distribuição e Uso de Pesticidas que fala da responsabilidade dos governos na regulamentação dessas substâncias, da necessidade de ajudar os países com dificuldades técnicas para assumirem os riscos de sua utilização e da importância de contar com boas práticas de produção e comercialização.

O uso de pesticidas na agricultura está muito difundido, pois são considerados essenciais para conseguir melhores condições de cultivo. A lista de substâncias utilizadas nesta atividade inclui algumas perigosas, o que levou organizações como a FAO ou a Organização Mundial da Saude (OMS) a insistirem na necessidade de adotar-se precauções em sua manipulação e venda. Num site sobre Pesticidas e Inseticidas são citados números da OMS segundo os quais dois milhões de pessoas são intoxicadas por essas substâncias a cada ano, e cerca de 200 mil morrem. Outro site, O que você deve saber..., sobre estes compostos, adverte que podem ocorrer danos se entrarem em contato com os olhos ou a pele, se forem aspirados ou ingeridos.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, que tem um portal com informação sobre o assunto, dedica uma página em espanhol à advertência de que nesse país existem 17 mil pesticidas registrados, e que desse total 76% são utilizados nas zonas agrícolas e 23% em zonas urbanas. “O tempo é crítico em qualquer envenenamento com pesticidas”, alerta. Os casos de envenenamento podem ocorrer nas residências, ao entrar em contato com inseticidas, mas, em sua maior parte, afetam trabalhadores agrícolas ou suas famílias, que freqüentemente devem conviver com pesticidas.

Além do perigo que representa entrar em contato direto com tais substâncias, existe outro problema importante: a contaminação do meio ambiente. Trata-se de substâncias persistentes que permanecem durante muito tempo em solos, águas, vegetais e animais e que também podem ser consumidos por essa via. Na Internet existe bastante informação sobre os pesticidas, já que representam um problema de saúde ambiental importante

Fonte:http://www.tierramerica.info/2002/1201/pconectate.shtml



Trangenicos



O que são os transgênicos?
Os organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos, são aqueles que tiveram genes estranhos, de qualquer outro ser vivo, inseridos em seu código genético. O processo consiste na transferência de um ou mais genes responsáveis por determinada característica num organismo para outro organismo ao qual se pretende incorporar esta característica.

Pode-se, com essa tecnologia, inserir genes de porcos em seres humanos, de vírus ou bactérias em milho e assim por diante.
Quase todos os países da Europa têm rejeitado os produtos transgênicos. Devido à pressão de grupos ambientalistas e da população, os governos europeus proibiram sua comercialização e seu cultivo (quase 80% dos europeus não querem consumir transgênicos).

As sementes transgênicas são patenteadas pelas empresas que as desenvolveram. Quando o agricultor compra essas sementes, ele assina um contrato que o proíbe de replantá-las no ano seguinte (prática de guardar sementes, tradicional da agricultura), comercializá-las, trocá-las ou passá-las adiante.

Os EUA, o Brasil e a Argentina concentram 80% da produção mundial de soja, na sua maioria exportada para a Europa e para o Japão. Estes mercados consumidores têm visto no Brasil a única opção para a compra de grãos não transgênicos.
São enormes as pressões que vêm sendo feitas sobre o governo brasileiro pelo lobby das indústrias e dos governos americano e argentino e sobre os agricultores brasileiros, através de intensa propaganda da indústria, para que os transgênicos sejam liberados e cultivados.

Ainda não existem normas apropriadas para avaliar os efeitos dos transgênicos na saúde do consumidor e no meio ambiente e há sérios indícios de que eles sejam prejudiciais. Os próprios médicos e cientistas ainda têm muitas dúvidas e divergências quanto aos riscos dessas espécies. Não existe um só estudo, no mundo inteiro, que prove que eles sejam seguros.

Os produtos contendo transgênicos que estão nas prateleiras de alguns supermercados não são rotulados para que o consumidor possa exercer o seu direito de escolha.

A Campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos"

Os transgênicos ainda estão proibidos no Brasil e o tema ganha dimensão nacional e interesse popular graças às ações das ONGs.

A Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos foi criada por um grupo de organizações não governamentais (ONGs) preocupadas com as conseqüências que o uso dos transgênicos pode trazer para nossa saúde, para o meio-ambiente e para a economia do País.

Queremos que antes que se tome uma decisão sobre o cultivo, a comercialização e o consumo de transgênicos no Brasil, sejam feitas pesquisas por instituições científicas de comprovada competência e independência, que assegurem que os transgênicos não são prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Ao mesmo tempo, queremos que sejam realizadas pesquisas e que haja incentivos para desenvolver a agroecologia - uma agricultura que respeite o meio ambiente e leve em consideração as condições sociais do setor.

Fonte:http://www.esplar.org.br/publicacoes/trasngenicos.htm


Controle biológicos
Vantagens

O controle biológico de pragas visa a redução de prejuízos através de ações selecionadas após os sistemas vitais tanto dos predadores como das pragas terem sido compreendidos e as conseqüências ecológicas, bem como as econômicas, destas ações tenham sido previstas, o mais acuradamente possível, para o melhor interesse da sociedade.


O controle biológico é o uso de um organismo para suprimir outro


O controle biológico pode reduzir o uso de pesticidas


O controle biológico pode efetiva e economicamente suprimir pragas agrícolas

O controle biológico pode ser definido como quaisquer atividades envolvendo a manipulação de inimigos naturais tais como predadores, parasitas ou patógenos para reduzir ou suprimir uma população animal ou vegetal que represente uma praga. Um programa completo de controle biológico cobre uma ampla gama de atividades, desde a simples conservação de inimigos naturais através de criteriosa seleção de um pesticida que lhes seja menos tóxico até a liberação deliberada ou introdução de inimigos naturais.

O controle biológico é o uso de um organismo especialmente escolhido para controlar um outro que represente uma praga. É uma forma de manipular a natureza para obtenção de um efeito desejado.


Vantagens do controle biológico

A incorporação do controle biológico como parte de um programa integrado de controle de pragas reduz os riscos legais, ambientais e públicos do uso de produtos químicos. Métodos de controle biológico podem ser usados em plantações para evitar que populações de pragas atinjam níveis danosos.

O controle biológico pode representar uma alternativa mais econômica ao uso de alguns inseticidas. Algumas medidas de controle biológico podem evitar danos econômicos a produtos agrícolas. A maioria dos inseticidas apresenta amplo espectro de atuação e matam de modo não específico outros animais ecologicamente importantes e potencialmente úteis. Os inimigos naturais usualmente têm preferências muito específicas para certos tipos de pragas e podem não causar dano algum a outros animais benéficos e a pessoas, havendo menos perigo de impacto sobre o ambiente e qualidade da água. Quando usados adequadamente, vários produtos comerciais para controle biológico podem ser bastante eficazes.


Desvantagens do controle biológico

O controle biológico requer planejamento e gerenciamento intensivos. Pode demandar mais tempo, mais controle, mais paciência, mais educação e treinamento. O uso bem sucedido do controle biológico requer um grande entendimento da biologia da praga e a de seus inimigos. Muitos inimigos naturais de pragas são sensíveis a pesticidas e seu uso em um programa de controle biológico requer muito cuidado. Em alguns casos, o controle biológico pode ser até mais caro que o de pesticidas. Freqüentemente, os resultados do uso de práticas de controle biológico não são tão dramáticas ou tão rápidas como aqueles do uso de pesticidas. A maioria dos inimigos naturais atacam somente tipos específicos de animais, ao contrário dos pesticidas de amplo espectro.


As três principais abordagens do controle biológico

O controle biológico faz uso de predadores de ocorrência natural, parasitas e patógenos para controlar pragas. Há três abordagens principais para usar inimigos naturais contra populações indesejadas de animais ou plantas.


Controle biológico clássico (importação): envolve a coleta de inimigos naturais de uma praga na região onde esta se originou e que aí a atacam e impedem-na de tornar-se daninha. Novas pragas estão constantemente se originando acidental ou intencionalmente e a introdução de alguns de seus inimigos naturais poder ser um meio importante para reduzir o nível de dano que podem provocar.


Propagação: forma de se aumentar a população de um inimigo natural que ataque uma praga. Isto pode ser feito pela massiva produção de um predador em laboratório e liberá-lo no campo na época apropriada. Um outro método é o melhoramento genético de um inimigo natural que possa atacar ou encontrar sua presa mais eficientemente. Esses predadores podem ser liberados em períodos especiais quando a praga está mais susceptível e inimigos naturais não estejam ainda presentes ou, então, podem ser liberados em grandes quantidades. Os métodos de propagação requerem contínuo controle e não representam uma solução permanente como podem os métodos da importação e da conservação.


Conservação de inimigos naturais: parte importante de qualquer prática de controle biológico. Isto envolve a identificação de quaisquer fatores que limitam a efetividade de um inimigo natural particular e alterá-los para auxiliar a espécie benéfica. Esta abordagem envolve ou a redução de fatores que interferem com os inimigos naturais ou o fornecimento dos recursos requeridos que auxiliem os predadores naturais.


Desenvolvimento de um plano de controle biológico

O controle biológico é um instrumento a ser considerado na montagem de um esquema integrado de controle de pragas para a proteção da produção agrícola. Em um programa completo de gerenciamento de pragas, doenças, ervas-daninhas e o crescimento de outras plantas deve ser considerado bem como insetos e ácaros. No controle biológico, cada espécie que se quer proteger deve ser considerada individualmente.

Antes de se tentar o uso de predadores naturais em um programa de controle biológico, deve-se ter um grande conhecimento a cerca da praga em questão e do sistema de gerenciamento da produção agrícola que se quer proteger. Deve-se incluir uma identificação positiva das pragas. Uma vez que muitas decisões administrativas devem ser tomadas ao se usar inimigos naturais, as chances de fracasso são grandes quando estas são usados incorretamente. Um planejamento cuidadoso é crítico para assegurar que o produto selecionado para uso seja o correto para uma dada situação e uma praga específica, que a qualidade seja adequada e que o tempo e a quantidade de aplicações sejam corretos.

Microrganismos utilizados no controle biológico


BACTÉRIAS

Microrganismo
Inseto controlado

Bacillus thuringiensis
lepidópteros, larvas aquáticas de mosquitos (Aedes spp, Anopheles spp, Culex spp), borrachudos

Bacillus popilliae
larvas de besouros da família Scarabaeidae





FUNGOS

Microrganismo
Inseto controlado

Aspergillus flavus
larvas de Culex sp

Beauveria bassiana
larvas de mosquitos e moscas

Beauveria brongniartii
baratas

Metarhizium anisopliae
cigarrinha da cana-de-açúcar: Mahanarva posticata

cigarrinha das pastagens: Deois zulia

broca da cana: Diatraea saccharalis

percevejos da soja: Nezara sp e Piezodorus sp

reduvídeos: insetos da família Reduviidae

Nomuraea rileyi
ordens Coleoptera, Lepidoptera e Orthoptera

Paecelomyces fumoroseus
larvas de mosquitos e moscas





VÍRUS

Vírus
Inseto controlado

Baculovirus anticarsia (NPV)
Anticarsia gemmatalis (lagarta da soja)




No programa de utilização do Baculovirus anticarsia deve-se considerar a contribuição natural do fungo Nomuraea rileyi (doença branca) que em condições de alta umidade é fator fundamental para suprimir populações de lagartas de Anticarsia gemmatalis em lavouras de soja. Nos anos de seca prolongada, durante a safra, quando o fungo não é eficiente, o vírus seria utilizado em pulverização.

Uso de plantas transgênicas no controle biológico
Em 1996, pela primeira vez variedades de batata, algodão e milho contendo genes modificados da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis foram vendidas a plantadores. Vários benefícios podem advir da produção da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis por plantas de interesse econômico. A toxina é produzida continuamente nos tecidos vegetais e parece persistir por algum tempo e, portanto, são precisas poucas aplicações de outros inseticidas, reduzindo custos operacionais. Os biopesticidas transgênicos são menos danosos ao ambiente que os pesticidas químicos e não afetam insetos benéficos.


Fontes

Alves SB. Controle Microbiano de Insetos (cood.), Editora Manole, SP


Perigos do controle biológico

Se não estudar direito a espécie do animal que você vai colocar para acabar com outro pode estar acabando com sua plantação.
Fonte: caderno Anglo

Manejo e controle das pragas


Manejo de Insetos-Pragas

A cultura da soja está sujeita, durante todo o seu ciclo, ao ataque de diferentes espécies de insetos (Tabela 10.1). Embora esses insetos tenham suas populações reduzidas por predadores, parasitóides e doenças, em níveis dependentes das condições ambientais e do manejo de pragas que se pratica, quando atingem populações elevadas, capazes de causar perdas significativas no rendimento da cultura, necessitam ser controlados.

Apesar de os danos causados na cultura da soja serem, em alguns casos, alarmantes, não se indica a aplicação preventiva de produtos químicos, pois, além do grave problema de poluição ambiental, a aplicação desnecessária eleva os custos da lavoura e contribui para o desequilíbrio populacional dos insetos.

O controle das principais pragas da soja deve ser feito com base nos princípios do “Manejo de Pragas”. Consistem de tomadas de decisão de controle com base no nível de ataque, no número e tamanho dos insetos-pragas e no estádio de desenvolvimento da soja, informações essas obtidas em inspeções regulares na lavoura com esse fim. Nos casos das lagartas desfolhadoras e dos percevejos, as amostragens devem ser realizadas com um pano-de-batida, de cor branca, preso em duas varas, com 1m de comprimento, o qual deve ser estendido entre duas fileiras de soja. As plantas das duas fileiras devem ser sacudidas vigorosamente sobre o mesmo, promovendo a queda dos insetos, que deverão ser contados. Esse procedimento deve ser repetido em vários pontos da lavoura, considerando, como resultado, a média de todos os pontos amostrados. Especificamente para os percevejos, as amostragens devem seguir as seguintes indicações: a) ser realizadas nos períodos mais frescos do dia, quando os percevejos se movimentam menos; b) ser feitas com maior intensidade nas bordas da lavoura, onde, em geral, os percevejos iniciam seu ataque; c) ser repetidas, de preferência, todas as semanas, do início da formação de vagens (R3) até a maturação fisiológica (R7); e d) em lavouras com espaçamento reduzido entre as linhas, bater sobre o pano apenas as plantas de uma fileira (nesse caso, reduzir a população crítica para a metade, em relação ao indicado no ítem 10.2 e na Tabela 10.2). A simples observação visual sobre as plantas não expressa a população real presente na lavoura, especialmente dos percevejos. O controle deve ser realizado somente quando forem atingidos os níveis de danos mencionados na Tabela 10.2 e no ítem 10.2.

10.1. Espécies de insetos que atacam a soja


Os insetos-pragas da soja, categorizados em “principais”, “regionalmente importantes” e “secundários”, em função da freqüência, abrangência e danos provocados na cultura, são apresentados na Tabela 10.1.


10.2. Níveis de dano para tomada de decisão de controle

Os níveis de dano estabelecidos para os principais insetos-pragas da soja são apresentados na Tabela 10.2.

Lagartas desfolhadoras (A. gemmatalis e P. includens) - Devem ser controladas quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes (>1,5 cm) por pano-de-batida (duas fileiras de plantas), ou com menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores. Para controle com Baculovírus, considerar como limites máximos 40 lagartas pequenas (no fio) ou 30 lagartas pequenas e 10 lagartas grandes por pano-de-batida. Em condição de seca prolongada e com plantas menores de 50 cm de altura, reduzir esses níveis para a metade, para a aplicação de Baculovírus (ver Folder nº 02/2001 “Controle a lagarta da soja com Baculovírus, um inseticida biológico”).

Percevejos - O controle deve ser iniciado quando forem encontrados quatro percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano-de-batida. Em campos de produção de sementes, o nível deve ser reduzido para dois percevejos por pano-de-batida. Se forem contados os insetos das plantas de apenas um metro de fileira, reduzir a população crítica para a metade (dois e um percevejos, respectivamente).
Broca das axilas - Controlar quando a lavoura apresentar em torno de 25% a 30% de plantas com ponteiros atacados.

10.3 Medidas de controle

Os produtos indicados para o controle das pragas da soja, encontram-se nas Tabelas 10.3, 10.4, 10.5 e 10.6. Na escolha do produto, levar em consideração a toxicidade, o efeito sobre inimigos naturais e o custo por hectare. Atentar para as doses indicadas, utilizar EPI (equipamento de proteção individual) durante o preparo e a aplicação dos defensivos e dar o destino correto às embalagens, conforme legislação vigente.

Lagarta da soja (A. gemmatalis) - Dar preferência, sempre que possível, à utilização do Baculovirus, na dose de 20 g/ha de lagartas mortas pelo próprio vírus (aproximadamente 50 lagartas/ha), maceradas em um pouco de água, ou 20g/ha da formulação em pó molhável. Em situações nas quais a população de lagartas grandes já tenha ultrapassado o limite para a aplicação de Baculovírus puro (mais que 10 lagartas grandes/pano) e for inferior ao nível preconizado para o controlequímico (40 lagartas grandes/pano), o Baculovírus pode ser utilizado em mistura com o inseticida profenofós ou com endossulfam, na dose de 30 g i.a./ha e 35 g i.a./ha, respectivamente.

O preparo do material deve ser feito batendo-se a quantidade de lagartas mortas ou o pó, juntamente com a água, em liquidificador, e coando a calda em tecido tipo gaze, no momento de transferir para o tanque do avião ou do pulverizador. Caso a aplicação tenha início pela manhã, o preparo do material pode ser realizado durante a noite anterior. No caso de aplicação por avião, usar a mesma dose, empregando água como veículo, na quantidade de 15 l/ha, ajustar o ângulo da pá do “micronair” para 45 a 50 graus, estabelecer a largura da faixa de deposição em 18 m e voar a uma altura de 3 a 5 m, a 105 milhas/hora, com velocidade do vento não superior a 10 km/h.

Em caso de ataques da lagarta-da-soja no início do desenvolvimento da cultura (plantas até o estádio V4 - três folhas trifolioladas), associados com períodos de seca, o controle da praga deverá ser realizado com outros produtos seletivos e indicados (Tabelas 10.3 e 10.7), visto que, nessas condições, haverá necessidade de controle rápido das lagartas, caso contrário poderá ocorrer desfolha que prejudicará o desenvolvimento das plantas.

Percevejos - Em certas situações, o controle químico pode ser efetuado apenas nas bordas da lavoura, sem necessidade de aplicação de inseticida na totalidade da área, porque o ataque destes insetos se inicia pelas áreas marginais, aí ocorrendo as maiores populações. Uma alternativa econômica é a mistura de sal de cozinha (cloreto de sódio) com a metade da dose de qualquer um dos inseticidas indicados na Tabela 10.4 (ver observações no rodapé). O sistema consiste no uso de apenas 50% da dose indicada do inseticida, misturada a uma solução de sal a 0,5%, ou seja, com 500 gramas de sal de cozinha para cada 100 litros de água colocados no tanque do pulverizador, em aplicação terrestre. O primeiro passo é fazer uma salmoura separada e, depois, misturá-la à água do pulverizador que, por último, vai receber o inseticida.

10.4. Pragas de difícil controle

Neste grupo destacam-se o “tamanduá da soja” ou “bicudo da soja”, o “percevejo-castanho” e os “corós”.

“Tamanduá-da-soja” - É um gorgulho de aproximadamente 8 mm de comprimento, de cor preta com listras amarelas no dorso da cabeça e nas asas. Os danos são causados tanto pelos adultos, que raspam o caule e desfiam os tecidos, como pelas larvas, brocando e provocando o surgimento de galha. O controle químico desse inseto não tem sido eficiente. As larvas ficam protegidas no interior das galhas e os adultos, além de emergirem do solo por um longo período, ficam a maior parte do tempo sob a folhagem da soja nas partes baixas da planta. Algumas práticas culturais podem ser utilizadas para, gradualmente, diminuir a sua ocorrência.

Nível de dano - Nos locais em que, na safra anterior, foram observados ataques severos do inseto, antes de planejar o cultivo da safra seguinte, deve-se avaliar o grau de infestação na entressafra. Para cada 10 ha, retirar quatro amostras de solo, centradas nas antigas fileiras de soja, com 1m de comprimento e largura e profundidade de uma pá de corte. Contar o número de larvas hibernantes. Para cada três a seis larvas/amostra, há possibilidade de uma ou duas atingirem o estádio adulto, podendo causar uma quebra de sete a 14 sacas de soja por hectare, na safra seguinte. Em lavoura de soja já estabelecida, o controle do inseto se justifica quando a população atinge um adulto por metro de fileira, em plantas com duas folhas trifolioladas, e dois adultos por metro linear, em plantas com três a cinco folhas trifolioladas (Tabela 10.2).

Controle - A rotação de culturas é a técnica mais eficiente para o seu manejo, mas sempre associada a outras estratégias, como plantas-iscas e controle químico na bordadura da lavoura. Resultados recentes de pesquisas têm mostrado reduzido percentual de plantas mortas e danificadas e maior produtividade, no final do período de rotação soja-milho-soja, quando comparado ao monocultivo de soja. Assim, onde forem detectadas larvas no solo, na entressafra, pelo processo acima descrito, é indicado substituir a soja por uma espécie não hospedeira (milho, milheto, sorgo ou girassol), para interromper o ciclo biológico do inseto. Aumenta a eficiência de controle circundar a espécie não hospedeira com uma hospedeira preferencial (soja, feijão ou lab-lab), que funcionará como planta-isca, atraindo e mantendo os insetos na bordadura da lavoura. Nesse caso, pulverizar com inseticida químico (Tabela 10.5) apenas uma faixa de 25 m na face interna dessa bordadura, nos meses de novembro e dezembro, quando a maior parte dos adultos sai do solo, e repetir o controle sempre que o inseto atingir os níveis de dano, conforme a fase da cultura. As pulverizações noturnas, entre às 22 h e às 2 h, são mais eficientes, pois a maioria dos adultos, nesse período, encontra-se na parte superior das plantas, em acasalamento. Em área não infestada, em região onde ocorre essa praga, para evitar que o inseto infeste toda a lavoura, semear uma bordadura de 40 a 50 m de largura, com sementes de soja tratadas com o inseticida fipronil (Tabela 10.5). Outra forma de controle do inseto na bordadura de plantas-iscas é o controle mecânico, roçando a soja e, conseqüentemente, matando as larvas presentes nas plantas. Essa operação deve ser feita aos 40-50 dias após a detecção das primeiras hastes de soja raspadas pelos adultos, matando as larvas antes de sua entrada no solo para hibernação.

“Corós” - O complexo de corós é um grupo de insetos que vem causando danos à soja, especialmente no Paraná, em Goiás e no Mato Grosso do Sul. Ocorre, também, no Mato Grosso, no sudoeste do Estado de São Paulo e na região do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. A espécie predominante varia de região para região, mas todas têm hábitos semelhantes e causam o mesmo tipo de dano à soja. Os sintomas de ataque vão desde amarelecimento das folhas e redução do crescimento até morte das plantas e são visualizados em reboleiras. O número de plantas mortas pode variar com a época de semeadura e com a população e o tamanho das larvas na área.

Danos à soja - os danos são causados pelas larvas, principalmente a partir do 2º ínstar, as quais consomem raízes. No início do desenvolvimento das plantas, uma larva com 1,5 a 2 cm de comprimento, para cada quatro plantas, reduz o volume de raízes em cerca de 35%, e uma larva de 3 cm, no mesmo nível populacional, causa redução de 60% ou mais nas raízes, podendo causar a morte da plântula. Para a maioria das espécies, na fase adulta apenas a fêmea se alimenta, ingerindo folhas, sem contudo, causar prejuízos à soja.

Controle - o manejo de corós, em soja, deve ser baseado em um conjunto de medidas que, integradas, possam permitir a convivência da cultura com o inseto. O cultivo de milho ou outra cultura em safrinha nos talhões infestados por corós deve ser evitado, pois essa prática aumentará a população na safra seguinte. O controle químico só é viável quando a semeadura é feita na presença de larvas com mais de 1 cm, entretanto, a proteção das plantas, em geral, é apenas inicial e, ainda, não há nenhum inseticida eficiente e registrado para essa finalidade, em soja. Os adultos são mais sensíveis aos inseticidas do que as larvas, mas seu controle por produtos químicos também é difícil, em função do seu comportamento. A aração do solo, nas horas mais quentes do dia, com implementos que atingem maior profundidade, pode, em alguns casos, diminuir a população, através de dano mecânico às larvas, da sua exposição a aves e a outros predadores e do deslocamento de larvas em diapausa e pupas para camadas do solo mais superficiais. Porém, o revolvimento do solo em áreas de semeadura direta, única e exclusivamente com objetivo de controlar esse inseto, não é indicado. Qualquer medida que favoreça o desenvolvimento radicular da planta, como evitar a formação de camadas adensadas e correção da fertilidade e acidez do solo, aumentará também a tolerância da soja aos insetos rizófagos.

“Percevejo-castanho-da-raiz” - Há registro da ocorrência de duas espécies da família Cydnidae que sugam a raiz de soja, em várias regiões do Brasil: Scaptocoris castanea e Atarsocoris brachiariae. A ocorrência dessa praga era esporádica em várias regiões e culturas, mas, a partir da década de 90, o problema em soja e outras culturas começou a ser mais freqüente. Pode ocorrer tanto em semeadura direta, como em convencional. É uma praga de hábito subterrâneo e tanto as ninfascomo os adultos atacam as raízes das plantas. Sua ocorrência como praga é mais freqüênte na Região Centro-Oeste, mas sua incidência vem crescendo também em São Paulo e Minas Gerais. Foram, ainda, registrados focos isolados em lavouras de soja no Paraná e em Rondônia.

Danos à soja - Atualmente, os prejuízos causados à soja por essa praga são bastante significativos, especialmente na Região Centro-Oeste, onde as perdas de produção, nas reboleiras de plantas atacadas, variam de 15% a 70%, dependendo da época do ataque.

Controle - O manejo dessa praga é difícil e ainda não há nenhum método eficiente para o seu controle. O controle químico, até o momento, tem se mostrado pouco viável, em função do hábito subterrâneo do inseto, não havendo, ainda, nenhum produto registrado para essa finalidade, para a cultura da soja.

10.5. Manuseio de inseticidas e descarte de embalagens

* Utilizar inseticidas devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para uso na cultura da soja e para a praga-alvo que deseja controlar. O número do registro consta no rótulo do produto.

* Usar equipamento de proteção individual (EPI) apropriado, em todas as etapas de manuseio de agrotóxicos (abastecimento do pulverizador, aplicação e lavagem de equipamentos e embalagens), a fim de evitar possíveis intoxicações.

* Não fazer mistura em tanque, de dois inseticidas, ou de inseticida (s) com outro (s) agrotóxico (s), procedimento proibido por lei (Instrução Normativa do MAPA nº 46, de julho de 2002).

* Evitar aplicações em dias ou em horários com ventos fortes, visando reduzir a deriva dos jatos, tornando mais eficiente a aplicação e reduzindo possíveis contaminações de áreas vizinhas.

* Observar o período de carência do produto (período compreendido entre a data da aplicação e a colheita da soja), principalmente no controle de pragas de final de ciclo da cultura (percevejos, por exemplo).

* Ler com atenção o rótulo e a bula do produto e seguir todas as orientações e os cuidados com o descarte das embalagens.

* Devolver as embalagens vazias (após a tríplice lavagem das embalagens de produtos líquidos), no prazo de um ano após a compra do produto, ao posto de recebimento indicado na nota fiscal de compra, conforme legislação do MAPA (Lei 9.974, de 06/06/2000 e Decreto 4.074, de 04/01/2002).

Fonte:http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/manejoi.htm

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Brasil multicultural.





Raças e etinias


REX, John. Raça e etnia. Lisboa: Editorial Estampa, 1988. “Raça e etnia na teoria sociológica”. p. 37-65 O autor inicia o texto apontando as variações nos discursos popular e político sobre os conceitos de raça e etnia. Ele refere-se à iniciativa da UNESCO com as pesquisas sobre relações raciais como uma forma de evitar as conseqüências políticas nocivas do uso incorreto do termo raça. Assim, o conceito utilizado pelos biólogos indica que “as chamadas raças da humanidade eram estatisticamente apenas grupos distinguíveis”(p. 38), não sendo essa uma justificativa plausível para as diferenças políticas entre os indivíduos, nem para a explicação das diferenças comportamentais. A resposta encontrada pelos sociólogos empenhados na pesquisa da UNESCO foi dada de três maneiras: 1) Os problemas raciais passaram a ser denominados problemas étnicos; 2) o reconhecimento de que há diferenças raciais e de que estas atuam no estabelecimento de desigualdades políticas; 3) o termo “situações de relações raciais” é usado para indicar situações marcadas pelo racismo. Rex diz que essa primeira tentativa de resposta conduzia às vezes à interpretação dos problemas raciais não como conflito, mas como fenômenos de diferença. O fato de reconhecer que as diferenças fenotípicas podem ser utilizadas como forma de distribuição desigual de direitos impede que se veja como essas diferenças atuam em contextos distintos. O autor afirma ter adotado a terceira alternativa em trabalhos anteriores, dado que ela inclui no mesmo grupo situações marcadas por graves conflitos, exploração, opressão e discriminação, baseadas ou não em indicadores fenotípicos. Todas as situações marcadas por justificações racistas também seriam abarcadas pelo termo “situações de relações raciais”. Nessas situações estão envolvidos os seguintes elementos: situação de grave conflito, discriminação, exploração ou opressão justificada por grupos poderosos em termos de uma certa teoria determinista (usualmente genética ou biológica). O autor insiste no fato de que mesmo tendo “conflito, discriminação, exploração e opressão” como essência das situações de relações raciais, pode haver situações em que o fenótipo não atua como indicador da atribuição de funções. Ele afirma que devemos distinguir as situações de conflito que são marcadas por diferenças físicas e as que são marcadas por diferenças culturais. Apesar de agrupar as situações raciais e étnicas possíveis em seis grupos distintos, em termos de harmonia e conflito, o autor ocupa-se de situações que envolvem conflito. Na “distinção de grupo” operada pelo autor, ele reconhece que ficou em aberto a questão do reconhecimento do caráter atribuído aos grupos envolvidos numa situação de relações sociais, bem como se ambos concordam com a distinção estabelecida. Rex discorre sobre as teorias que apresentam a etnia como algo situacional (Barth 1969, Wallman 1979) contrapondo àquelas que vêem a etnia como algo primordial, inalienável (Geertz 1963, Gordon 1978). A perspectiva primordial vê a etnia como um conceito transversal, que não pode depender unicamente de classe ou outro fator. Segundo o autor, uma outra teoria de etnia situacional foi erigida pelos antropólogos a fim de contestar a anterior. De acordo com essa teoria, a etnia não pode apenas transformar-se num veículo da classe em macro-situações; haverá também contingências perante as quais ela pode ser ou não ser invocada. As diferenças entre as duas teorias são, segundo Rex, mínimas, sendo que a principal está no fato de os teóricos da etnia situacional minimizarem a possibilidade de uma mobilização total do recurso à etnia no interesse de uma classe e de não terem considerado a etnia como um estigma ou como um compromisso.

Fonte:http://pt.shvoong.com/social-sciences/1673941-ra%C3%A7a-etnia-na-teoria-sociol%C3%B3gica/


O que é cultura?


Por Tiago Dantas

É comum dizermos que uma pessoa não possui cultura quando ela não tem contato com a leitura, artes, história, música, etc. Se compararmos um professor universitário com um indivíduo que não sabe ler nem escrever, a maior parte das pessoas chegaria à conclusão de que o professor é “cheio de cultura” e o outro, desprovido dela. Mas, afinal, o que é cultura?

Para o senso comum, cultura possui um sentido de erudição, uma instrução vasta e variada adquirida por meio de diversos mecanismos, principalmente o estudo. Quantas vezes já ouvimos os jargões “O povo não tem cultura”, “O povo não sabe o que é boa música”, “O povo não tem educação”, etc.? De fato, esta é uma concepção arbitrária e equivocada a respeito do que realmente significa o termo “cultura”.

Não podemos dizer que um índio que não tem contato com livros, nem com música clássica, por exemplo, não possui cultura. Onde ficam seus costumes, tradições, sua língua?

O conceito de cultura é bastante complexo. Em uma visão antropológica, podemos o definir como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc.

Nesse sentido, podemos chegar à conclusão de que é impossível que um indivíduo não tenha cultura, afinal, ninguém nasce e permanece fora de um contexto social, seja ele qual for. Também podemos dizer que considerar uma determinada cultura (a cultura ocidental, por exemplo) como um modelo a ser seguido por todos é uma visão extremamente etnocêntrica.


Fonte:http://www.alunosonline.com.br/filosofia/o-que-e-cultura/

O lugar e a multiculturalidade

1. Proposições iniciais
Falar de multiculturalismo é falar do manejo da diferença em nossas sociedades. No entanto, isto é ainda pouco para definir as implicações do termo. Pois, ela remete não apenas a um discurso em defesa da diversidade de formas de vida existentes nas sociedades contemporâneas, mas a um conjunto de aspectos fortemente ligados entre si e que carregam a marca de um contencioso: a) o reconhecimento da não-homogeneidade étnica e cultural dessas sociedades; b) o reconhecimento da não-integração dos grupos que carregam e defendem as diferenças étnicas e culturais à matriz dominante do nation-building nessas sociedades – após o fracasso seja de políticas assimilacionistas, seja de políticas diferencialistas (baseadas na restrição de acesso ou mesmo na idéia de “desenvolvimentos separados”); c) a mobilização dos próprios recursos políticos e ideológicos da tradição dominante nos países ocidentais – o liberalismo – contra os efeitos desta não-integração; d) a demanda por inclusão e por pluralidade de esferas de valor e práticas institucionais no sentido da reparação de exclusões históricas; e) a demanda por reorientação das políticas públicas no sentido de assegurar a diversidade/pluralidade de grupos e tradições.

Além disto, há que considerar que a crescente sensibilidade para o tema da diferença e sua articulação em termos socioculturais sob a forma de uma reivindicação de direitos para grupos subordinados se liga a um descentramento da cultura ocidental que assume duas modalidades paradoxais. De um lado, através da matriz colonialista e imperialista que difundiu-se mundo afora entre os séculos 16 e início do século 20, levando com ela modelos de organização social, desenvolvimento e mudança política que em larga medida se institucionalizaram no atual sistema de estados nacionais e numa economia mundial dominada inteiramente pelo capitalismo. Práticas, valores e instituições historicamente construídas a partir da modernidade européia e norte-americana se espalharam pelo mundo, tornaram-se ideais de progresso e emancipação, mas também se impuseram onde a resistência se fez mostrar. Uma intrincada composição de agentes “metropolitanos” e locais encarregou-se de dobrar a resistência, forjando uma uniformidade que atendia pelo apelo da Nação em busca de seu futuro no “mundo moderno”, atribuindo lugares aos que se posicionavam – contra ou a favor – frente às formas concretas de implementação destes projetos de modernização. Este descentramento do Ocidente que leva ao modelo do estado nacional e à trajetória da modernização representa o grau zero das disputas multiculturais[2].

De outro lado, a história do século 20 foi acumulando uma crescente desconfiança ou recusa dos modelos modernizadores – liberais como socialistas – que sofre, a partir dos anos 60, uma importante inflexão através de movimentos sociais e intelectuais de contestação política e cultural, ocorridos em várias partes do mundo, os quais contribuíram para deslegitimar, questionar e enfrentar a idéia hegemônica de Ocidente. Este descentramento crítico se expressou na emergência de novas formas de identificação coletiva – negros, mulheres, povos indígenas, ecologia, pacifismo, juventude, movimentos religiosos – e novas formas de pensamento, que puseram em questão o etnocentrismo e o caráter excludente da ordem liberal vigente. Nos países latino-americanos, a emergência destas formas sociais e intelectuais do descentramento incluía ainda a resistência contra a associação da modernização capitalista com regimes autoritários e tecnocráticos baseados em alianças civis-militares. Este descentramento que leva à afirmação da pluralidade de esferas públicas, dos direitos dos grupos historicamente excluídos social ou culturalmente, representa o primeiro momento de emergência de bandeiras multiculturais[3].

Mais recentemente, entretanto, uma nova onda de expansão ocidental tem se dado, a qual é capturada pela idéia de globalização. Embora o caráter deste processo seja altamente disputado, ele parece intensificar o duplo descentramento ao mesmo tempo em que reforça o paradoxo entre suas duas modalidades. Pois, ao mesmo tempo que a globalização representa uma certa forma de interconexão e interpenetração entre regiões, estados nacionais e comunidades locais que está marcada pela hegemonia do capital e do mercado, ela também se faz acompanhar por uma potencialização da demanda por singularidade e espaço para a diferença e o localismo. O discurso multiculturalista, neste sentido, tanto beneficia-se de como impulsiona a globalização, embora em direções nem sempre favoráveis às falas dominantes sobre a mesma.

Sob qualquer destas formas, o multiculturalismo está envolvido num contencioso, numa disputa que vai além do manejo de uma diversidade que simplesmente se dá, como mera constatação empírica. Para além ou na base das demandas lançadas ao estado, ao mercado e a outros atores sociais, há movimentos de retorno ao passado, de reconstrução ou de invenção de identidades coletivas, bem como há cobranças por redefinição de padrões societários. E esses movimentos disputam entre si ou articulam-se de formas surpreendentes, mas também instáveis e parciais. A vinculação das demandas multiculturais com a problemática dos direitos, através de um discurso sobre a legitimidade das diferenças e a necessidade de reparação tem aparecido, simultaneamente, como uma tentativa de “pacificar” o caráter mais “truculento” da emergência desses novos atores sociais que postulam uma identidade de base cultural, e como aprofundamento da disputa, uma vez que claramente há reivindicações de poder envolvidas.

Nosso objetivo neste trabalho, entretanto, não é discutir pormenorizadamente o conceito de multiculturalismo ou os casos concretos de aplicação de modelos nele inspirados[4]. Antes, gostaríamos de nos concentrar sobre dois aspectos fortemente relacionados à problemática multicultural: a associação entre identidade e localismo (sob a égide da cultura, da tradição, da etnicidade, do nacionalismo, da religião) e a contradição entre afirmação da identidade e o avanço da globalização, seja esta pensada sob a forma de um processo direcionado a partir de um “centro” ou como um conjunto de fluxos produtores de conjunções e disjunções (cf. Featherstone, 1995; Appadurai, 1991). Juntos, estes aspectos marcam o embate entre “localização da cultura” (para usar livremente a expressão de Homi Bhabha) e a desterritorialização introduzida pelos fluxos globais. Assim, a emergência de demandas identitárias na cena contemporânea ora representam uma recusa dos grandes modelos mas também das tendências globalizantes; ora uma defesa da “autenticidade” das experiências particulares e enraizadas num determinado tempo e espaço comunitário contra as forças desterritorializantes, “abstratas”, do mercado ou da cultura de massas; ora uma dificuldade de vivenciar os efeitos do deslocamento que a globalização introduz nos contextos locais, identificando esta último com um complô das grandes potências capitalistas, a dominação da cultura de consumo ou a violação da soberania nacional[5].

É possível, neste contexto, articular identidade e globalização? É preciso opor identidade a globalização? O contexto global representa possibilidades ou ameaças à experiência local? Como compreender o tipo de problema que a lógica global introduz no espaço-tempo da identidade? Como enfocar a globalização de forma a entender o lugar que aí ocupa a experiência da identidade?

Partiremos aqui da afirmação de que a globalização, naquilo em que se presta a uma análise cruzada com o tema da identidade, representa a vigência de um princípio de ruptura do liame dual micro/macro, estável/dinâmico, concreto/abstrato, particular/geral, princípio este que funciona como um “terceiro” e desencadeia uma lógica que não exige o fim das referências locais, mas as reinscreve num terreno em que estas não mais podem se definir pelo isolamento nem tampouco pela territorialidade. Sendo assim, a globalização tanto forma como deforma, tanto exige como resiste à identidade enquanto signo do local, do singular, do autêntico, do emancipatório. Este elemento, a meu ver, coloca problemas à lógica particularista das disputas multiculturais, como também reforça a lógica multicultural. O argumento a seguir pretende ser uma tentativa de explicitar esta problematização.

2. O terceiro e a lógica da globalização
A globalização introduz um terceiro na relação entre o local e o nacional, o local e o regional, o regional e o nacional que interrompe o fluxo linear de relações e comunicação onde estas polaridades se desenvolviam até vinte anos atrás, reguladas pela unidade do estado-nação e pela repartição territorial das trocas econômicas, políticas e culturais (exemplarmente capturada na expressão “relações internacionais”)[6]. Este terceiro introduz uma lógica desterritorializante e desinstitucionalizante em relação ao contexto anterior, repleta de paradoxos e expressa em aspectos como: quebra da pretensão de universalidade dos discursos políticos e culturais; quebra da soberania do estado nacional em questões-chave de política doméstica; introdução de valores e parâmetros de gestão pública em voga no âmbito da “sociedade civil global” (gênero; meio ambiente; multiculturalismo; direitos humanos; a primazia da ação local, efetivada por uma pluralidade de atores em parceria; etc.); ruptura de modos de vida associados às raízes ou atributos essenciais de comunidades locais, categorias sociais ou identidades culturais.

2.1 Caracterizando o terceiro da globalização
O terceiro da globalização não é um mega-sujeito. Nem o sujeito imperialista – por mais que tenhamos a impressão de que os Estados Unidos se transformam crescentemente no gendarme do sistema-mundo; nem o sujeito multilateral representado pelas Nações Unidas ou por organismos internacionais – embora estes sejam perceptivelmente agentes da globalização (exemplo do Banco Mundial ou da Organização Mundial do Comércio); nem o sujeito classe – poucos ousam alinhar a globalização com um esquema da burguesia ou uma concertação das elites empresariais dos diversos países com vistas a impor um determinado modelo de dominação econômica. Na verdade, o terceiro da globalização não é um sujeito em nenhum sentido antropomórfico ou sociologizante. O terceiro da globalização se “materializa” em múltiplos agentes, uns mais benignos, outros mais perversos, que têm em comum não a adesão a uma única cultura ou estratégia de globalização, mas o reconhecimento de que atuam num terreno movediço e em indefinida expansão. Este terreno já não se regula pelas coordenadas cartesianas de tempo e espaço, ou sociológicas de instituição e movimento, antes nele se joga com elas e as possibilidades e assimetrias que elas abrem. Nele, a disputa pelo conteúdo da globalização é o grande elemento impulsionador.

O terceiro é um princípio de antagonismo e diferenciação, algo que denuncia ou contesta – se justa ou injustamente somente se pode decidir analisando-se situações concretas - os limites da pretensão de singularidade, de desenvolvimento autônomo, de autoridade moral inquestionável, de estabilidade das ordens social ou comunitária vigentes. E isto se faz em nome da existência de aspectos não considerados, de grupos excluídos ou valores supervenientes, de processos ou tendências macro-societais ou macro-econômicas, os quais, desde a perspectiva dos litigantes, teriam prioridade sobre a autonomia local de organização e práticas.

Assim, a globalização funciona pela introdução da diferença exorbitante ou ignorada ali onde reina o contentamento ou a pretensão de autonomia contra interferências externas. Neste sentido, a lógica da globalização pode opor tanto o micro ao micro, como o micro ao macro, o macro ao mega, e vice-versa. Global não é o que é necessariamente maior, mais distante, nem mais forte. Global é o que (se) diferencia entre um campo que se regula por referências de soberania, autodeterminação, distintividade, e um campo que pretende se abrir – ou ser a abertura – para a renovação, inovação ou justiça que vêm descortinar novos horizontes. Se a diferença que emerge entre em meio à ordem vigente – local, nacional ou internacional – e aponta para o que ela exclui ou reclama das promessas que ela deixa irrealizadas, é politica ou moralmente virtuosa, se desemboca em alternativas viáveis à ordem questionada, são questões práticas, que só podem ser determinadas em contexto. Mas é em nome dessas diferenças não acolhidas, não respeitadas, não percebidas pela sociedade ou o estado que o terceiro da globalização interrompe a reprodução de um dado status quo.

Por outro lado, o terceiro da globalização é um princípio de oposição, um gerador de antagonismo. A introdução da diferença representa um desafio à estabilidade dos arranjos e fronteiras existentes, questiona a autarquia da comunidade, da instituição, do governo, do Estado. Não se trata de uma dicotomização do espaço social, político, econômico ou cultural. Naturalmente, o antagonismo produz uma fronteira entre dois campos. Mas esta já não é uma fronteira que atravesse o social de um extremo a outro. Nem é uma fronteira entre identidades já dadas, pré-constituídas, que vêm a se chocarem. É uma fronteira constituída em torno da emergência de uma questão em disputa[7], aí localizando lado a lado, “dentro” como “fora”, atores, temas e cenas que em outras disputas definem campos distintos. O antagonismo também não é uma situação de guerra, não precisa haver animosidades pessoais envolvidas, embora possa sempre (Schmitt sabia disto) levar ao confronto físico ou à guerra pura e simplesmente – e as dezenas de conflitos armados no mundo de hoje não nos permite esquecer isto. Mas o antagonismo que caracteriza o terceiro da globalização não pode ser extirpado, nem mesmo pelos tratados de paz. Ele pode sempre ressurgir, em outros lugares ou sob outras formas. A resolução dos conflitos não zera a atuação do antagonismo, apenas a deslocam para outros objetos[8].

Aqui já temos uma boa indicação do vínculo entre globalização e identidade: a afirmação, defesa ou contestação de identidades são um componente integral da lógica da globalização contemporânea. Por quê? Porque as identidades são, por vezes, o pomo da discórdia que expressa o terceiro da globalização – a globalização neste caso seria o berço da afirmação identitária, o contexto no qual a chamada fragmentação do sujeito desencadeia inúmeras tentativas de recomposição. Porque as identidades emergem na esteira dos efeitos desterritorializantes e desinstitucionalizantes da globalização, beneficiando-se do enfraquecimento das antigas unidades políticas e culturais da modernidade novecentista. Porque, enfim, as identidades reagem, numa tentativa de ressincronização espaço-temporal, aos efeitos desestruturantes da globalização, buscando em raízes do passado ou na idealização do presente uma forma de neutralizar o sentimento de ansiedade ou pânico ante a incerteza, a instabilidade e a permanente redefinição das regras e cenários que se instalam em nome da globalização[9].

2.2 Explorando a lógica da globalização
Dissemos acima que o que põe em comum os agentes da globalização é a disputa pelo seu conteúdo. É preciso dizer que não se trata de uma disputa pelo poder mundial, uma espécie de síndrome de desenho animado, onde gênios do mal mobilizam recursos para dominar o mundo. A inserção desses agentes têm níveis e impactos bastante diferenciados e a disparidade dos recursos é brutal. Mas não há mais a possibilidade de coordenar estes processos de disputa hegemônica sob uma única lógica ou direção, por mais abrangente que seja. Assim, a disputa pelo conteúdo da globalização se trava em torno de objetivos concretos, embora alguns de grande alcance, cuja resolução assegurará a uns a sensação de ganho e garantia de uma (maior) “cota” da cena global, enquanto mobilizará a outros em diferentes formas de resistência: a que aceita jogar o jogo (acreditando nas regras), a que recusa-se a jogar o jogo (partindo para o confronto a partir do lugar que ocupa, em torno das questões mais urgentes e inegociáveis que advoga) ou a que explora os interstícios ainda deixados a descoberto pelas disputas em curso. Pense-se nas grandes organizações ambientalistas e suas formas não-convencionais de protesto, ou nas manifestações críticas do sistema financeiro global (em Seattle, 1999; ou em Davros, 2000).

Certamente há alguns vetores gerais condicionando as disputas no cenário global, como já mencionei antes e retomo agora, ressaltando que não são os únicos:

Ü a quebra da pretensão de universalidade dos discursos políticos e culturais, tem deslocado as grandes narrativas da modernização, seja pela sua negação como modelo; seja pela tentativa de desenvolvimentos autônomos em contradição com grandes interesses políticos e econômicos internacionais; seja pela multiplicação dos caminhos tomados em nome destas narrativas, que explode a sua coerência interna, sua capacidade de dar unidade a tão diversas trajetórias; seja pela multiplicação dos atores da modernização.

Ü A quebra da soberania do estado nacional em questões-chave de política doméstica, representa tanto uma perda de autonomia, como o efeito da maior interconexão das sociedades contemporâneas – via mercados financeiros, os media, os organismos multilaterais e multinacionais, a incipiente sociedade civil global – limitando, mas não evitando, realinhamentos bruscos ou resistências aos “consensos” globais.

Ü A introdução de valores e parâmetros de gestão pública em voga no âmbito da “sociedade civil global”, de forma relativamente independente da aceitação ou reconhecimento das situações que os justificam. Entre tais valores e parâmetros se poderia mencionar: gênero; meio ambiente; multiculturalismo; direitos humanos; a primazia da ação local, efetivada por uma pluralidade de atores em parceria; exigências de eficiência e aferição do impacto das ações públicas; alargamento do espaço para o envolvimento da sociedade na gestão pública, compartilhando responsabilidades e atribuições ao lado do estado; etc. Estes novos critérios definidores da boa governança vêm interpor uma agenda para as políticas que não se prende à sensibilidade acumulada nos contextos nacionais e locais em relação aos valores e parâmetros mencionados. Não importa se gostemos ou não das políticas de promoção da igualdade de condições entre os sexos, se aceitamos ou não as políticas de discriminação positiva, de diálogo intercultural; se praticamos ou não de boa vontade os direitos humanos, etc. O que importa é que a credibilidade da organização, do governo ou do país é hoje aferida por sua sensibilização e operacionalização de políticas como estas. O que importa é que os recursos necessários hoje se vinculam a “condições aceitáveis” que passam pela implementação das diretrizes acima.

Não obstante esses vetores gerais, sua materialização raramente se faz em nome ou através de mega-atores. Em nome de ou contra a globalização, pequenos e grandes atores, isolada ou articuladamente, mobilizam, reivindicam e resistem a essas correntes. A ação intra e inter-organizacional; a ação coletiva; a ação governamental; a ação de redes territorializadas, temáticas e de influência (cf. Doimo, 1995), se contraem ou se expandem na dinâmica da intervenção do terceiro da globalização, em torno de interesses, demandas, valores e objetivos pontuais ou gerais.

3. A identidade como resposta, efeito e resistência à globalização
3.1 O terceiro e a identidade
Tudo parece indicar, à primeira vista, que o terceiro desterritorializante da globalização se oporia à experiência da identidade. Acostumados a pensar a identidade como enraizamento numa realidade socio-cultural particular e, no plano individual, como auto-conhecimento, auto-conceito e presença a si, tendemos a contrastar mais do que associar os dois termos. À vista do terceiro que mencionei anteriormente, é preciso desfazermos esta idéia. A globalização pode permitir a emergência de novas formas de identificação coletiva, as quais, por não mais se definirem em função de um pertencimento territorial, ou de uma tradição imemorial, mas em função de questões de relevância global, se subtraem às exigências de lealdade tradicional ou de atuação localizada.

Num sentido mais forte, a globalização requer mesmo a articulação da identidade, tanto na dimensão instrumental das relações de mercado, como na dimensão “expressiva” das relações intra e intergrupais, embora nem sempre estejamos diante de experiências identitárias com as características descritas no parágrafo anterior. Na sua versão instrumental, identidade se define no contexto da cultura de consumo, que globaliza a idéia de livre escolha e livre experimentação com bens e estilos de vida, produz e estimula a diferenciação, se alimenta da especialização, da produção de um diferencial cultural que se transforma num signo de vitalidade da cultura local (trunfo a ser explorado pela indústria do turismo), e da legitimidade de uma ordem social fundada na lógica do mercado. Identidade seria aqui a forma exteriorizada ou reivindicada de uma nova subjetividade. Outras modalidades de identificação se definem nesta perspectiva, como nas diversas “redescobertas” – em muitos casos coincidentes com verdadeiras invenções de tradições – de identidades culturais para diversos fins: impulsionar a indústria do turismo e do lazer; legitimar ações governamentais em disputas por recursos condicionados à adoção de práticas multiculturais; ajudar a criar uma nova imagem para empresas que lhes garantam acesso a determinadas fatias do mercado de consumo.

No caso da identidade como “expressão”, a globalização a requer na medida em que o deslocamento que o terceiro da globalização introduz no cenário local desencadeia mudanças, mas não pode ser indefinidamente continuado. O desenraizamento produz desorientação, ansiedade, sofrimento e destruição de formas de vida ou instituições que não podem ser suportados indefinidamente. Assim, a resistência da identidade – já não mais a mesma, porém uma que se modifica ao responder e “se afirmar” diante do desafio “de fora”, da lógica global – é uma contrapartida da globalização. Em nome da identidade enceta-se uma luta para restaurar um mundo nostalgicamente idealizado de simplicidade de vida, durabilidade dos arranjos sociais e proximidade e confiabilidade das relações entre as pessoas. Em nome da identidade se busca encontrar na origem comum ou num destino manifesto a orientação que contradiga as tendências desestabilizadoras e a incerteza do presente.

O terceiro da globalização não implica em que a identidade seja sempre experimentada ou reivindicada em bases globais, não-nacionais ou transnacionais. Antes, o que queremos ressaltar é que mesmo quando a identidade se expressa através do mais rigoroso fundamentalismo e isolacionismo, contra tudo o que seja maior do que ou exterior a ela, especialmente contra tudo o que lhe parece ser um complô das grandes potências ou grandes tendências econômicas, políticas e culturais do sistema mundial, ela não deixa de ser afetada pela globalização. Neste caso, o entrincheiramento da identidade como singularidade, localismo ou autenticidade pode ser uma reação a forças globalizantes, mas é também uma resposta a elas, um “sim” à agenda da globalização. Será reação ao tomar o global como a ameaça que vem de fora contra a integridade de um modo de vida local ou uma cultura nacional. Será uma resposta se sua emergência for atribuída ao afrouxamento dos laços ideológicos, políticos ou econômicos que impediam a expressão de tal identidade no âmbito nacional. Sem dúvida, a resposta pode ser ambígua, uma vez que nem sempre ela sai em defesa da globalização. Mas, o fato de beneficiar-se do “clima” global e de reivindicar seu espaço legítimo na “nova ordem mundial” – que coordena o global e o local, não esqueçamos – situa tais identidades no regime ou lógica da globalização.

3.2 A lógica da globalização e a lógica da identidade
Ao falar sobre a lógica da globalização, mencionei que a disputa pelo conteúdo da mesma se faz a partir de objetivos concretos, e não de uma intangível agenda global, e argumentei que há vetores gerais que produzem efeitos locais e que mobilizam atores grandes e pequenos. Trata-se de explorar agora como isto se relaciona com o tema da identidade.

Em primeiro lugar, eu ressaltaria que a lógica do terceiro representa um novo regime da relação entre o geral e o particular, o universal e o singular, na qual um curioso movimento se dá. A crítica aos universalismos modernos (expressos em objetos culturais ou modelos institucionais) não significa uma recusa do universalismo, mas uma localização do universalismo (cf. Robertson, 1991; Laclau, 1996). Ou seja, tanto identidades locais podem, em nome de certos direitos amplamente reconhecidos, reivindicar uma autonomia parcial ou mesmo secessão; identificar outros grupos sociais cuja presença representaria uma ameaça a ser neutralizada; ou ainda reclamar sua inclusão no “pacto de sociedade” mais amplo em que se inserem. Assim, ora temos micro-universalismos em conflito entre si e com o Estado, ora temos a reivindicação local do universalismo como demanda por inclusão.

O questionamento da soberania do estado nacional, nesta direção, implica na utilização das tendências globais (respaldadas em agências multilaterais ou em organizações civis de peso na formação da opinião pública mundial) para forçar mudanças na orientação das políticas nacionais em favor de atores coletivos que se beneficiam diretamente do clima de maior sensibilidade e assertividade existente em outros contextos nacionais – mulheres, negros, minorias étnicas (migrantes ou de segunda e terceira gerações, bem como indígenas), minorias religiosas, ambientalismo, etc. –, contrariando elites locais ou políticas. Mas pode-se também reivindicar contrapartidas à perda da autonomia do estado sobre certas questões de política doméstica, através de processos de negociação e coordenação supra-nacionais dos quais a face mais visível são os blocos de países organizados em função de interesses econômicos e políticos, segundo um imperativo de sobrevivência e reforço da competitividade (por exemplo, o Mercosul).

Por fim, a introdução de valores e práticas em contradição com a cultura política nacional ou local vem legitimar e reforçar a asserção, visibilidade pública e peso político de novos movimentos e alternativas organizacionais vinculados às mudanças culturais do pós-1968 e políticas dos anos 1980, abrindo espaços para o reconhecimento de diferenças e dificultando sua diluição nos amálgamas da identidade nacional, das ideologias políticas ou das práticas de cooptação paternalista. Porém, tais valores podem introduzir vieses desconhecidos no contexto local, redescrevendo problemas aí vivenciados em termos de padrões culturais e políticos dominantes em outras sociedades ou regiões. Desta forma, as demandas e conflitos locais se configuram em contraste com a experiência compartilhada, o que pode se expressar no sentimento de que as questões e soluções apresentadas implicam antes na imposição de poderes externos, ou na produção de atores coletivos híbridos, “glocais”, ao mesmo tempo enraizados num contexto local e definindo-se em termos transculturais.

O que resulta deste processo é a experiência da identidade como construção, ainda quando somos confrontados com movimentos e grupos que pretendem estar em direta continuidade com um passado ameaçado de destruição ou injust(ificad)amente violentado. Não há identidades pristinas, puramente expressivas. Há, em consequência da lógica da globalização reafirmações de identidades combinadas às novas ênfases e objetos de disputa; reinvenção de identidades para objetivos políticos ou mercadológicos (inclusive como forma de “apresentação” da diversidade local que funciona na indústria do turismo); e surgimento de novas identidades. Em cada um dos casos, construção da identidade – para legitimar uma situação, para resistí-la ou para introduzir nela novas questões e práticas que apontam para projetos de mudança social (cf. Castells, 1997).

E por que construir a identidade? Porque a questão do sentido torna-se bastante aguda num contexto onde os referenciais estáveis, naturais, de orientação no mundo se tornaram frágeis e insuficientes para garantir uma movimentação coerente e previsível no espaço social. A lógica do terceiro impõe um movimento de extensão e contração da sociedade civil e do estado no qual, segundo Castells, “não há mais uma continuidade entre a lógica da formação do poder na rede global e a lógica da associação e representação em sociedades e culturas específicas. A busca de sentido tem lugar então na reconstrução de identidades defensivas ao redor de princípios comunais. A maior parte da ação social vem a se organizar na oposição entre fluxos não-identificados e identidades isoladas” (1997:11). Como transformar a resistência local em novos sujeitos de mudança é, para Castells, o grande desafio de uma teoria da mudança social na era da informação.

Na medida em que o global se alimenta da diferenciação, ele investe sistematicamente o local, o comunitário, o regional como ingrediente de sua expansão. O local contra o nacional “atrasado”, o global contra o local “atrasado”. Mas também o local como possuidor de algo que a idéia nebulosa de globalidade não tem, uma singularidade ou exótica que podem ser trunfos em termos de reconhecimento, competitividade e lucro. O resultado disso é que a identidade, retomando o que disse anteriormente assume três configurações vis-à-vis o cenário global:

Ü A identidade é o pomo da discórdia que expressa o terceiro da globalização. Assim, a emergência de novas identidades, a economia das relações entre as identidades (explicitamente posta em tela pelo multiculturalismo), as perspectivas abertas pelo jogo da identidade no cenário global exprimem um aspecto constitutivo da dinâmica da globalização. Em outras palavras, a dimensão polêmica, controvertida, agonística da globalização aponta precisamente para a visibilidade e produtividade política que a questão da identidade assume. Falar de multiculturalismo é antes de mais nada apontar para este campo de contestação aberto pela operação do terceiro da globalização em contextos onde prevaleceram atitudes deslegitimadoras da diferença cultural em função da exclusão social, da inserção subordinada na ordem econômica e política internacional e da adesão aos modelos da modernização nos discursos liberais ou de esquerda.

Ü As identidades também emergem na esteira dos efeitos desterritorializantes e desinstitucionalizantes da globalização, beneficiando-se do enfraquecimento das antigas unidades políticas e culturais da modernidade novecentista – neste caso, não se trata necessariamente de novas identidades, podendo haver o retorno de antigas formas de identificação comunitária julgadas extintas pelos discursos da modernização. Pode ser o caso aqui que uma série de deslocamentos (econômicos, políticos, culturais) tenham o efeito de tornar os indivíduos susceptíveis à interpelação de uma pluralidade de formas de identificação, fraturando-os como unidades auto-centradas e causando-lhes mal-estar e sofrimento, ou liberando-os de uma submissão estreita a uma única comunidade ou instituição social. Tal interpelação instaura uma competição entre formas de identificação, mas também enseja experimentos de esteticização da subjetividade os quais, embora provisórios ou apenas parcialmente bem sucedidos, vão fazendo surgirem múltiplos “agenciamentos de subjetividade” (Guattari), no contexto de pequenos e grandes agrupamentos de pessoas.

Ü As identidades, enfim, reagem, num movimento de ressincronização espaço-temporal, aos efeitos desestruturadores da globalização. Esta reação pode vir sob a forma da retração, “privatização”, ou da intolerância contra o que parecem ser os perigos ou inimigos da “abertura” aos fluxos globais para a segurança, a sobrevivência, a auto-referencialidade dos projetos do grupo. Pela impotência ou pela assertividade agressiva do “seu” espaço, tenta-se reestabilizar o estado de fluxo, as exigências de contínuo reajustamento, as incertezas de um futuro desconhecido. Neste contexto, a religião, o nacionalismo, a organização em bases territoriais locais são algumas das expressões deste desejo de interromper os fluxos de mudanças permanentes e aparentemente sem direção que sobrevêm a sociedades nacionais ou grupos/comunidades sub-nacionais como efeitos de uma espécie de destino incompreensível e implacável.

4. Desafios ao multiculturalismo: o lugar da identidade no contexto global
Destacamos na introdução o caráter contencioso das demandas e práticas multiculturais e procuramos argumentar que um dos elementos importantes desta contestabilidade reside na dinâmica complexa dos vínculos entre identidade e globalização. Se as energias iniciais para as demandas multiculturais podem remontar às lutas pelos direitos civis e aos desdobramentos dos movimentos estudantis no final da década de 60, então seria preciso admitir que a emergência da identidade como preocupação, como reação ou como projeto já estava implicada num movimento de proporções internacionais. Durante os anos 80 e 90, as demandas multiculturais tornaram-se decididamente globais em sua extensão e disseminação.

Esta disseminação, entretanto, nem ofusca, nem diminui o potencial polêmico do multiculturalismo. Assim como o terreno da globalização é disputado, também o é o das identidades coletivas passíveis de constar na lista dos atores “legítimos” do multiculturalismo. Mais do que uma emergência pura e simples, tomando a forma de diferenças cuja positividade seria indisputável, as identidades reivindicadoras de práticas multiculturais estão simultaneamente em processo de construção e em disputa pelo reconhecimento dos agravos e cenários onde sua postulação cobra ares de objetividade incontestável. O fato, porém, de que não podemos simplesmente escolher quais manifestações identitárias – por nos parecerem mais aceitáveis ou progressistas – poderiam fazer parte da “lista”, o fato de que há identidades reativas, intolerantes e fechadas em si mesmas, nos adverte para alguns desafios que, postos a estas identidades, estendem-se também às chamadas “novas identidades” e, a fortiori, ao multiculturalismo.

Concluiríamos, então, ressaltando, de forma puramente evocativa, alguns desafios que o contexto da globalização coloca à experiência da identidade – pessoal e coletiva – e às políticas multiculturais que se põem em sua defesa.

Em primeiro lugar, o desafio da abertura. Tradicionalmente, a idéia de identidade foi associada a um “seu-próprio” que não se dividia com outros, que se pretendia proteger dos outros e que determinava uma uniformidade interna entre os “portadores” de tais atributos. Além disso, a identidade se revestia de uma atemporalidade que escondia tanto a história de seu desenvolvimento como a existência de outras possibilidades de sua expressão que foram preteridas ou derrotadas ao longo desta história. O cenário da globalização, ao alterar os processos tradicionais de produção e reprodução da identidade, confronta-a com sua própria historicidade – e, portanto, com a possibilidade de ser diferente de si mesma, heterogênea consigo mesma – e com a relação ao outro – e, portanto, com a necessidade de reconhecer dentro de si a presença (ausente) de outros sujeitos e de negociar com eles suas demandas e valores.

Em segundo lugar, o desafio da reflexividade. A “ameaça” de invasão, destruição ou subordinação que a inserção nos fluxos globais representa para as identidades localistas, ou a resposta ao desafio da abertura, têm cobrado que a identidade trabalhe sobre si mesma. Recomponha-se, investigue-se, critique a si mesma e elabore estratégias para sua atuação e suas relações com outras. A avaliação permanente das suas condições de existência e de suas chances de melhora relativa no espaço social, político, econômico e cultural impõe um permanente retorno sobre si mesma que, embora não signifique a possibilidade de compensar a perda da estabilidade, a aura atemporal e a falsa homogeneidade que geralmente as experiências identitárias cultivam, torna-se um elemento habilitador nas relações com outras identidades.

Em terceiro lugar, o desafio da política. Embora muito se fale sobre a decadência ou a retração da política no contexto contemporâneo, a leitura que oferecemos aqui só pode insistir sobre a centralidade da política na análise da identidade. Não se trata especificamente da política tradicional – centrada na agregação de interesses através dos partidos e seu processamento através dos mecanismos de políticas governamentais. Trata-se da dimensão política da identidade. A perda da referência a-histórica e os deslocamentos colocados pelo contato com o terceiro da globalização exigem das identidades um esforço de construção. Reivindicar uma origem indiferenciada e imemorial, ou uma visão naturalizada (determinada pelo nascimento, a condição biológica ou o solo pátrio), não é suficiente ou mesmo possível para assegurar sua continuidade/reprodução. Identidades são construções tanto no sentido histórico, como no sentido da ação estratégica; elas são o resultado de uma série de operações e investimentos coletivos. Mais, o fato de que a identidade não se define de modo autárquico, sem referência com um antagonismo face a um “inimigo”, e sem a “costura” de equivalências entre suas demandas e valores e as de outras, a negociação (que implica em conflito, argumentação, mobilização e compromissos) é outra característica do desafio político à identidade. O peso do global, as assimetrias entre atores nacionais e locais, o grau de organização interna de cada grupo colocam o desafio da negociação.

Finalmente, o desafio do pluralismo. Os cenários da globalização não remetem a um sistema centrado e governado a partir de um único conjunto de critérios, não comportam macro- ou micro-atores imbuídos de pretensões imperiais ou autonomistas, nem assumem o custo da homogeneização das diferenças. O desafio então, que tem estado entre os maiores dilemas e contradições da onda contemporânea da globalização, é o de que o regime de repartição dos recursos socialmente relevantes para os diferentes grupos que reivindicam inclusão, justiça ou reconhecimento produza uma tolerância ativa das diferenças no contexto da “consciência possível” da comunidade nacional, da cultura regional e local, ou seja, assumindo-se que nunca será possível tolerar todas as diferenças, nem impedir que o intolerável reapareça. Pluralismo não pode, neste contexto, significar um congraçamento geral, uma nova forma de comunidade plena, mas um espaço de emergência de demandas que não somente expressam injustiças passadas, mas a exclusão sobre a qual se assenta toda ordem social.

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[1] Coordenador da Área Temática Cultura e Identidade, Fundação Joaquim Nabuco, e professor das pós-graduações em Ciência Política e em Sociologia da UFPE. Uma versão anterior deste trabalho foi apresentada na Mesa Redonda Multiculturalismo, Relações Inter-étnicas e Globalização, durante a I Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais, promovida pelo CLACSO e Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Brasil, de 22 a 26/11/99.

[2] Mais recentemente, esta modalidade de descentramento que significa a expansão do Ocidente cobra notável reforço nos últimos anos por meio da frenética movimentação de um capital financeiro ao mesmo tempo apátrida, amoral e plurifacético (ou sem face, o que dá no mesmo), intensificando a ansiedade e a busca de anteparos e raízes que permitam defender-se do “vendaval”.

[3] Num trabalho recente, Featherstone analisa estas duas modalidades em termos de uma postura nostálgica face à globalização, uma associada à emergência/afirmação dos estados nacionais e seus símbolos e cerimônias, outra associada ao pós-modernismo e que reflete pressões para que os estados nacionais reconstituam suas identidades coletivas em moldes pluralistas e multiculturais que confiram espaço para diferenças regionais e étnicas (cf. 1995:95-96). Segundo Featherstone, esta nostalgia se liga à asserção do local vis-à-vis o global e se expressa como uma perda do que seria o lar, o familiar, um lugar físico com o qual se está identificado, e como uma perda do senso de totalidade/integridade, certeza moral, relacionamento social genuíno, espontaneidade e expressividade (Idem:93-94). Sobre a relação entre globalização e nostalgia, especialmente no que diz respeito à primeira modalidade, cf. tb. Robertson, 1990).

[4] Para uma análise das políticas multiculturais, segundo os usos que se faça do multiculturalismo – demográfico-descritivo, programático-político e ideológico-normativo – cf. Inglis, 1996; Koenig, 1999. Uma análise latino-americana se encontra em Iturralde, 1995.

[5] Alain Touraine tem, recentemente, feito da disjunção entre mercado e cultura o cerne de sua análise sobre os impasses da modernidade tardia e a base de sua defesa da introdução de um princípio não-social de resistência ao capital e à comunidade, que ele chama de “Sujeito” (cf. 1999; v.tb. 1998).

[6] A imagem do “terceiro” tem sido usada por outros autores num sentido que não necessariamente se coaduna com o que aqui é utilizado. Uma das tematizações explícitas aparece em Bhabha e Laclau.

[7] A emergência desta questão – por exemplo, racismo, discriminação da mulher, etnocídio das populações indígenas, liberdade religiosa, degradação ambiental, exclusão social como efeito direto das políticas neoliberais – não é ponto pacífico. É preciso estabelecer sua própria objetividade ou urgência, donde o fundamental desentendimento que funda a política (cf. Rancière, 1996): entre os polos antagonísticos – no nosso caso, as demandas multiculturais e seus adversários, bem como a oposição entre identidades locais e as forças globalizantes – há um conflito que diz respeito à denúncia de um agravo cometido contra um determinado grupo e à demanda por reparação ou inclusão, mas que traz à cena social algo que não estava lá. Algo que tanto designa o “quem” como o “quê” em disputa.

[8] A questão do antagonismo aqui introduzida tem sua referência básica no trabalho de Laclau e Mouffe (cf. Laclau e Mouffe, 1989; Laclau, 1993:21-57; v.tb. Zizek, 1993; 1992:161-64; 1996 :21-35).

[9] Uma breve descrição deste processo é oferecida por Castells, quando comenta que o caráter defensivo de muitas práticas identitárias se dirige contra a globalização, os processos de formação de redes e de flexibilização, e a crise da família patriarcal: “Quando o mundo se torna grande demais para ser controlado, os atores sociais buscam encolhê-lo de volta ao tamanho e alcance deles. Quando as redes dissolvem o tempo e o espaço, as pessoas se ancoram em lugares, e recuperam sua memória histórica. Quando a reprodução patriarcal da personalidade fracassa, as pessoas afirmam o valor transcendente da família e da comunidade, como vontade de Deus” (1997:66).

Fonte:http://www.fundaj.gov.br/tpd/107.html


Preconceitos: Racial e Cultural


A exclusão social de um modo geral caracteriza-se por afastar o indivíduo do meio social em que vive. Pode estar relacionada a vários fatores sejam eles, políticos econômicos, religiosos, entre outros.
O preconceito racial é uma forma de exclusão social bastante comum no mundo, porém, pode-se observar que o Brasil, apesar de ser um país com população em sua maioria negra ou afro descendente, o racismo é uma prática muito freqüente, o que nos leva a pensar em qual seria o verdadeiro motivo para tamanha discriminação.
Os antecedentes históricos mundiais podem ser considerados como prova de que o negro sempre foi discriminado em todos os aspectos, não tinham, por exemplo, direito à escola e até a lei do ventre livre ser decretada, não tinham direito nem sobre seus filhos, pois, esses na hora do nascimento eram considerados propriedades dos senhores, como eram chamados os homens de pele branca que tinham condições financeiras de manter sobre seu poder vários escravos e quanto maior a quantidade maior seria o seu prestígio na sociedade.
É fato real que no mercado de trabalho e na sociedade as pessoas de cor de pele negra são menos aceitas que pessoas de pele branca. É obvio que a cor da pele não julga a competência de ninguém, mas, infelizmente, o preconceito existe e deve ser combatido no Brasil, um país negro por natureza, que ainda não aceitou ou não conseguiu aceitar esta realidade.
É preciso que os negros sejam vistos e tratados como pessoas comuns e normais que são, e não como inferiores aos brancos. Esse é apenas o primeiro passo para à sociedade se tornar menos preconceituosa.

Fonte: http://www.overmundo.com.br/overblog/preconceito-racial-uma-forma-de-exclusao-social

terça-feira, 14 de setembro de 2010