
Pragas agrícolas
Atualmente estão catalogadas inúmeras espécies de animais (maioria insetos) considerados "pragas" para o ser humano, pois atacam as lavouras ou acarretam doenças ao homem.
A vespa Cotesia flavipes é parasitóide da lagarta da broca da cana (Diatraea saccharalis). Sua eficiência no controle desta praga é comprovada cientificamente e aprovada pelos produtores e usinas, sendo o agente biológico mais utilizado no controle biológico na cana-de-açúcar.
A vespa Trichogramma é parasitóide dos ovos de várias espécies de mariposas. Sua eficiência de controle é elevada e atualmente é um dos parasitóides mais utilizados no mundo para o controle de pragas. Abaixo estão algumas das pragas agrícolas que após a realização de pesquisas científicas, comprovou-se a eficiência do controle biológico pela atuação da vespa Trichogramma spp .
Os gafanhotos alimentam-se de folhas em geral
A larva das mariposas ataca as folhas e o botão floral diminuindo a produção
A lagarta da broca da cana de açucar fura o caule onde se instala,e desvaloriza o produto
A larva de besouro ataca farinha e cereais armazenados
O percevejo da soja tambem conhecido como maria fedida alimenta-se de seiva da planta
Fonte:
http://www.megabio.com.br/pragas.htmlPesticidas
Pesticidas, Inseticidas
Os pesticidas são resultado do antigo desejo do homem de livrar-se das pragas que invadem seu modo de vida. Mas, no mundo moderno, já e conhecida a outra face de algumas destas substâncias: são venenos perigosos para a saúde e o meio ambiente. Em novembro deste ano, o Conselho da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) aprovou uma versão revisada do Código de Conduta sobre Distribuição e Uso de Pesticidas que fala da responsabilidade dos governos na regulamentação dessas substâncias, da necessidade de ajudar os países com dificuldades técnicas para assumirem os riscos de sua utilização e da importância de contar com boas práticas de produção e comercialização.
O uso de pesticidas na agricultura está muito difundido, pois são considerados essenciais para conseguir melhores condições de cultivo. A lista de substâncias utilizadas nesta atividade inclui algumas perigosas, o que levou organizações como a FAO ou a Organização Mundial da Saude (OMS) a insistirem na necessidade de adotar-se precauções em sua manipulação e venda. Num site sobre Pesticidas e Inseticidas são citados números da OMS segundo os quais dois milhões de pessoas são intoxicadas por essas substâncias a cada ano, e cerca de 200 mil morrem. Outro site, O que você deve saber..., sobre estes compostos, adverte que podem ocorrer danos se entrarem em contato com os olhos ou a pele, se forem aspirados ou ingeridos.
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, que tem um portal com informação sobre o assunto, dedica uma página em espanhol à advertência de que nesse país existem 17 mil pesticidas registrados, e que desse total 76% são utilizados nas zonas agrícolas e 23% em zonas urbanas. “O tempo é crítico em qualquer envenenamento com pesticidas”, alerta. Os casos de envenenamento podem ocorrer nas residências, ao entrar em contato com inseticidas, mas, em sua maior parte, afetam trabalhadores agrícolas ou suas famílias, que freqüentemente devem conviver com pesticidas.
Além do perigo que representa entrar em contato direto com tais substâncias, existe outro problema importante: a contaminação do meio ambiente. Trata-se de substâncias persistentes que permanecem durante muito tempo em solos, águas, vegetais e animais e que também podem ser consumidos por essa via. Na Internet existe bastante informação sobre os pesticidas, já que representam um problema de saúde ambiental importante
Fonte:http://www.tierramerica.info/2002/1201/pconectate.shtml
Trangenicos
O que são os transgênicos?
Os organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos, são aqueles que tiveram genes estranhos, de qualquer outro ser vivo, inseridos em seu código genético. O processo consiste na transferência de um ou mais genes responsáveis por determinada característica num organismo para outro organismo ao qual se pretende incorporar esta característica.
Pode-se, com essa tecnologia, inserir genes de porcos em seres humanos, de vírus ou bactérias em milho e assim por diante.
Quase todos os países da Europa têm rejeitado os produtos transgênicos. Devido à pressão de grupos ambientalistas e da população, os governos europeus proibiram sua comercialização e seu cultivo (quase 80% dos europeus não querem consumir transgênicos).
As sementes transgênicas são patenteadas pelas empresas que as desenvolveram. Quando o agricultor compra essas sementes, ele assina um contrato que o proíbe de replantá-las no ano seguinte (prática de guardar sementes, tradicional da agricultura), comercializá-las, trocá-las ou passá-las adiante.
Os EUA, o Brasil e a Argentina concentram 80% da produção mundial de soja, na sua maioria exportada para a Europa e para o Japão. Estes mercados consumidores têm visto no Brasil a única opção para a compra de grãos não transgênicos.
São enormes as pressões que vêm sendo feitas sobre o governo brasileiro pelo lobby das indústrias e dos governos americano e argentino e sobre os agricultores brasileiros, através de intensa propaganda da indústria, para que os transgênicos sejam liberados e cultivados.
Ainda não existem normas apropriadas para avaliar os efeitos dos transgênicos na saúde do consumidor e no meio ambiente e há sérios indícios de que eles sejam prejudiciais. Os próprios médicos e cientistas ainda têm muitas dúvidas e divergências quanto aos riscos dessas espécies. Não existe um só estudo, no mundo inteiro, que prove que eles sejam seguros.
Os produtos contendo transgênicos que estão nas prateleiras de alguns supermercados não são rotulados para que o consumidor possa exercer o seu direito de escolha.
A Campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos"
Os transgênicos ainda estão proibidos no Brasil e o tema ganha dimensão nacional e interesse popular graças às ações das ONGs.
A Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos foi criada por um grupo de organizações não governamentais (ONGs) preocupadas com as conseqüências que o uso dos transgênicos pode trazer para nossa saúde, para o meio-ambiente e para a economia do País.
Queremos que antes que se tome uma decisão sobre o cultivo, a comercialização e o consumo de transgênicos no Brasil, sejam feitas pesquisas por instituições científicas de comprovada competência e independência, que assegurem que os transgênicos não são prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Ao mesmo tempo, queremos que sejam realizadas pesquisas e que haja incentivos para desenvolver a agroecologia - uma agricultura que respeite o meio ambiente e leve em consideração as condições sociais do setor.
Fonte:http://www.esplar.org.br/publicacoes/trasngenicos.htm
Controle biológicos
Vantagens
O controle biológico de pragas visa a redução de prejuízos através de ações selecionadas após os sistemas vitais tanto dos predadores como das pragas terem sido compreendidos e as conseqüências ecológicas, bem como as econômicas, destas ações tenham sido previstas, o mais acuradamente possível, para o melhor interesse da sociedade.
O controle biológico é o uso de um organismo para suprimir outro
O controle biológico pode reduzir o uso de pesticidas
O controle biológico pode efetiva e economicamente suprimir pragas agrícolas
O controle biológico pode ser definido como quaisquer atividades envolvendo a manipulação de inimigos naturais tais como predadores, parasitas ou patógenos para reduzir ou suprimir uma população animal ou vegetal que represente uma praga. Um programa completo de controle biológico cobre uma ampla gama de atividades, desde a simples conservação de inimigos naturais através de criteriosa seleção de um pesticida que lhes seja menos tóxico até a liberação deliberada ou introdução de inimigos naturais.
O controle biológico é o uso de um organismo especialmente escolhido para controlar um outro que represente uma praga. É uma forma de manipular a natureza para obtenção de um efeito desejado.
Vantagens do controle biológico
A incorporação do controle biológico como parte de um programa integrado de controle de pragas reduz os riscos legais, ambientais e públicos do uso de produtos químicos. Métodos de controle biológico podem ser usados em plantações para evitar que populações de pragas atinjam níveis danosos.
O controle biológico pode representar uma alternativa mais econômica ao uso de alguns inseticidas. Algumas medidas de controle biológico podem evitar danos econômicos a produtos agrícolas. A maioria dos inseticidas apresenta amplo espectro de atuação e matam de modo não específico outros animais ecologicamente importantes e potencialmente úteis. Os inimigos naturais usualmente têm preferências muito específicas para certos tipos de pragas e podem não causar dano algum a outros animais benéficos e a pessoas, havendo menos perigo de impacto sobre o ambiente e qualidade da água. Quando usados adequadamente, vários produtos comerciais para controle biológico podem ser bastante eficazes.
Desvantagens do controle biológico
O controle biológico requer planejamento e gerenciamento intensivos. Pode demandar mais tempo, mais controle, mais paciência, mais educação e treinamento. O uso bem sucedido do controle biológico requer um grande entendimento da biologia da praga e a de seus inimigos. Muitos inimigos naturais de pragas são sensíveis a pesticidas e seu uso em um programa de controle biológico requer muito cuidado. Em alguns casos, o controle biológico pode ser até mais caro que o de pesticidas. Freqüentemente, os resultados do uso de práticas de controle biológico não são tão dramáticas ou tão rápidas como aqueles do uso de pesticidas. A maioria dos inimigos naturais atacam somente tipos específicos de animais, ao contrário dos pesticidas de amplo espectro.
As três principais abordagens do controle biológico
O controle biológico faz uso de predadores de ocorrência natural, parasitas e patógenos para controlar pragas. Há três abordagens principais para usar inimigos naturais contra populações indesejadas de animais ou plantas.
Controle biológico clássico (importação): envolve a coleta de inimigos naturais de uma praga na região onde esta se originou e que aí a atacam e impedem-na de tornar-se daninha. Novas pragas estão constantemente se originando acidental ou intencionalmente e a introdução de alguns de seus inimigos naturais poder ser um meio importante para reduzir o nível de dano que podem provocar.
Propagação: forma de se aumentar a população de um inimigo natural que ataque uma praga. Isto pode ser feito pela massiva produção de um predador em laboratório e liberá-lo no campo na época apropriada. Um outro método é o melhoramento genético de um inimigo natural que possa atacar ou encontrar sua presa mais eficientemente. Esses predadores podem ser liberados em períodos especiais quando a praga está mais susceptível e inimigos naturais não estejam ainda presentes ou, então, podem ser liberados em grandes quantidades. Os métodos de propagação requerem contínuo controle e não representam uma solução permanente como podem os métodos da importação e da conservação.
Conservação de inimigos naturais: parte importante de qualquer prática de controle biológico. Isto envolve a identificação de quaisquer fatores que limitam a efetividade de um inimigo natural particular e alterá-los para auxiliar a espécie benéfica. Esta abordagem envolve ou a redução de fatores que interferem com os inimigos naturais ou o fornecimento dos recursos requeridos que auxiliem os predadores naturais.
Desenvolvimento de um plano de controle biológico
O controle biológico é um instrumento a ser considerado na montagem de um esquema integrado de controle de pragas para a proteção da produção agrícola. Em um programa completo de gerenciamento de pragas, doenças, ervas-daninhas e o crescimento de outras plantas deve ser considerado bem como insetos e ácaros. No controle biológico, cada espécie que se quer proteger deve ser considerada individualmente.
Antes de se tentar o uso de predadores naturais em um programa de controle biológico, deve-se ter um grande conhecimento a cerca da praga em questão e do sistema de gerenciamento da produção agrícola que se quer proteger. Deve-se incluir uma identificação positiva das pragas. Uma vez que muitas decisões administrativas devem ser tomadas ao se usar inimigos naturais, as chances de fracasso são grandes quando estas são usados incorretamente. Um planejamento cuidadoso é crítico para assegurar que o produto selecionado para uso seja o correto para uma dada situação e uma praga específica, que a qualidade seja adequada e que o tempo e a quantidade de aplicações sejam corretos.
Microrganismos utilizados no controle biológico
BACTÉRIAS
Microrganismo
Inseto controlado
Bacillus thuringiensis
lepidópteros, larvas aquáticas de mosquitos (Aedes spp, Anopheles spp, Culex spp), borrachudos
Bacillus popilliae
larvas de besouros da família Scarabaeidae
FUNGOS
Microrganismo
Inseto controlado
Aspergillus flavus
larvas de Culex sp
Beauveria bassiana
larvas de mosquitos e moscas
Beauveria brongniartii
baratas
Metarhizium anisopliae
cigarrinha da cana-de-açúcar: Mahanarva posticata
cigarrinha das pastagens: Deois zulia
broca da cana: Diatraea saccharalis
percevejos da soja: Nezara sp e Piezodorus sp
reduvídeos: insetos da família Reduviidae
Nomuraea rileyi
ordens Coleoptera, Lepidoptera e Orthoptera
Paecelomyces fumoroseus
larvas de mosquitos e moscas
VÍRUS
Vírus
Inseto controlado
Baculovirus anticarsia (NPV)
Anticarsia gemmatalis (lagarta da soja)
No programa de utilização do Baculovirus anticarsia deve-se considerar a contribuição natural do fungo Nomuraea rileyi (doença branca) que em condições de alta umidade é fator fundamental para suprimir populações de lagartas de Anticarsia gemmatalis em lavouras de soja. Nos anos de seca prolongada, durante a safra, quando o fungo não é eficiente, o vírus seria utilizado em pulverização.
Uso de plantas transgênicas no controle biológico
Em 1996, pela primeira vez variedades de batata, algodão e milho contendo genes modificados da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis foram vendidas a plantadores. Vários benefícios podem advir da produção da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis por plantas de interesse econômico. A toxina é produzida continuamente nos tecidos vegetais e parece persistir por algum tempo e, portanto, são precisas poucas aplicações de outros inseticidas, reduzindo custos operacionais. Os biopesticidas transgênicos são menos danosos ao ambiente que os pesticidas químicos e não afetam insetos benéficos.
Fontes
Alves SB. Controle Microbiano de Insetos (cood.), Editora Manole, SP
Perigos do controle biológico
Se não estudar direito a espécie do animal que você vai colocar para acabar com outro pode estar acabando com sua plantação.
Fonte: caderno Anglo
Manejo e controle das pragas
Manejo de Insetos-Pragas
A cultura da soja está sujeita, durante todo o seu ciclo, ao ataque de diferentes espécies de insetos (Tabela 10.1). Embora esses insetos tenham suas populações reduzidas por predadores, parasitóides e doenças, em níveis dependentes das condições ambientais e do manejo de pragas que se pratica, quando atingem populações elevadas, capazes de causar perdas significativas no rendimento da cultura, necessitam ser controlados.
Apesar de os danos causados na cultura da soja serem, em alguns casos, alarmantes, não se indica a aplicação preventiva de produtos químicos, pois, além do grave problema de poluição ambiental, a aplicação desnecessária eleva os custos da lavoura e contribui para o desequilíbrio populacional dos insetos.
O controle das principais pragas da soja deve ser feito com base nos princípios do “Manejo de Pragas”. Consistem de tomadas de decisão de controle com base no nível de ataque, no número e tamanho dos insetos-pragas e no estádio de desenvolvimento da soja, informações essas obtidas em inspeções regulares na lavoura com esse fim. Nos casos das lagartas desfolhadoras e dos percevejos, as amostragens devem ser realizadas com um pano-de-batida, de cor branca, preso em duas varas, com 1m de comprimento, o qual deve ser estendido entre duas fileiras de soja. As plantas das duas fileiras devem ser sacudidas vigorosamente sobre o mesmo, promovendo a queda dos insetos, que deverão ser contados. Esse procedimento deve ser repetido em vários pontos da lavoura, considerando, como resultado, a média de todos os pontos amostrados. Especificamente para os percevejos, as amostragens devem seguir as seguintes indicações: a) ser realizadas nos períodos mais frescos do dia, quando os percevejos se movimentam menos; b) ser feitas com maior intensidade nas bordas da lavoura, onde, em geral, os percevejos iniciam seu ataque; c) ser repetidas, de preferência, todas as semanas, do início da formação de vagens (R3) até a maturação fisiológica (R7); e d) em lavouras com espaçamento reduzido entre as linhas, bater sobre o pano apenas as plantas de uma fileira (nesse caso, reduzir a população crítica para a metade, em relação ao indicado no ítem 10.2 e na Tabela 10.2). A simples observação visual sobre as plantas não expressa a população real presente na lavoura, especialmente dos percevejos. O controle deve ser realizado somente quando forem atingidos os níveis de danos mencionados na Tabela 10.2 e no ítem 10.2.
10.1. Espécies de insetos que atacam a soja
Os insetos-pragas da soja, categorizados em “principais”, “regionalmente importantes” e “secundários”, em função da freqüência, abrangência e danos provocados na cultura, são apresentados na Tabela 10.1.
10.2. Níveis de dano para tomada de decisão de controle
Os níveis de dano estabelecidos para os principais insetos-pragas da soja são apresentados na Tabela 10.2.
Lagartas desfolhadoras (A. gemmatalis e P. includens) - Devem ser controladas quando forem encontradas, em média, 40 lagartas grandes (>1,5 cm) por pano-de-batida (duas fileiras de plantas), ou com menor número se a desfolha atingir 30%, antes da floração, e 15% tão logo apareçam as primeiras flores. Para controle com Baculovírus, considerar como limites máximos 40 lagartas pequenas (no fio) ou 30 lagartas pequenas e 10 lagartas grandes por pano-de-batida. Em condição de seca prolongada e com plantas menores de 50 cm de altura, reduzir esses níveis para a metade, para a aplicação de Baculovírus (ver Folder nº 02/2001 “Controle a lagarta da soja com Baculovírus, um inseticida biológico”).
Percevejos - O controle deve ser iniciado quando forem encontrados quatro percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5 cm por pano-de-batida. Em campos de produção de sementes, o nível deve ser reduzido para dois percevejos por pano-de-batida. Se forem contados os insetos das plantas de apenas um metro de fileira, reduzir a população crítica para a metade (dois e um percevejos, respectivamente).
Broca das axilas - Controlar quando a lavoura apresentar em torno de 25% a 30% de plantas com ponteiros atacados.
10.3 Medidas de controle
Os produtos indicados para o controle das pragas da soja, encontram-se nas Tabelas 10.3, 10.4, 10.5 e 10.6. Na escolha do produto, levar em consideração a toxicidade, o efeito sobre inimigos naturais e o custo por hectare. Atentar para as doses indicadas, utilizar EPI (equipamento de proteção individual) durante o preparo e a aplicação dos defensivos e dar o destino correto às embalagens, conforme legislação vigente.
Lagarta da soja (A. gemmatalis) - Dar preferência, sempre que possível, à utilização do Baculovirus, na dose de 20 g/ha de lagartas mortas pelo próprio vírus (aproximadamente 50 lagartas/ha), maceradas em um pouco de água, ou 20g/ha da formulação em pó molhável. Em situações nas quais a população de lagartas grandes já tenha ultrapassado o limite para a aplicação de Baculovírus puro (mais que 10 lagartas grandes/pano) e for inferior ao nível preconizado para o controlequímico (40 lagartas grandes/pano), o Baculovírus pode ser utilizado em mistura com o inseticida profenofós ou com endossulfam, na dose de 30 g i.a./ha e 35 g i.a./ha, respectivamente.
O preparo do material deve ser feito batendo-se a quantidade de lagartas mortas ou o pó, juntamente com a água, em liquidificador, e coando a calda em tecido tipo gaze, no momento de transferir para o tanque do avião ou do pulverizador. Caso a aplicação tenha início pela manhã, o preparo do material pode ser realizado durante a noite anterior. No caso de aplicação por avião, usar a mesma dose, empregando água como veículo, na quantidade de 15 l/ha, ajustar o ângulo da pá do “micronair” para 45 a 50 graus, estabelecer a largura da faixa de deposição em 18 m e voar a uma altura de 3 a 5 m, a 105 milhas/hora, com velocidade do vento não superior a 10 km/h.
Em caso de ataques da lagarta-da-soja no início do desenvolvimento da cultura (plantas até o estádio V4 - três folhas trifolioladas), associados com períodos de seca, o controle da praga deverá ser realizado com outros produtos seletivos e indicados (Tabelas 10.3 e 10.7), visto que, nessas condições, haverá necessidade de controle rápido das lagartas, caso contrário poderá ocorrer desfolha que prejudicará o desenvolvimento das plantas.
Percevejos - Em certas situações, o controle químico pode ser efetuado apenas nas bordas da lavoura, sem necessidade de aplicação de inseticida na totalidade da área, porque o ataque destes insetos se inicia pelas áreas marginais, aí ocorrendo as maiores populações. Uma alternativa econômica é a mistura de sal de cozinha (cloreto de sódio) com a metade da dose de qualquer um dos inseticidas indicados na Tabela 10.4 (ver observações no rodapé). O sistema consiste no uso de apenas 50% da dose indicada do inseticida, misturada a uma solução de sal a 0,5%, ou seja, com 500 gramas de sal de cozinha para cada 100 litros de água colocados no tanque do pulverizador, em aplicação terrestre. O primeiro passo é fazer uma salmoura separada e, depois, misturá-la à água do pulverizador que, por último, vai receber o inseticida.
10.4. Pragas de difícil controle
Neste grupo destacam-se o “tamanduá da soja” ou “bicudo da soja”, o “percevejo-castanho” e os “corós”.
“Tamanduá-da-soja” - É um gorgulho de aproximadamente 8 mm de comprimento, de cor preta com listras amarelas no dorso da cabeça e nas asas. Os danos são causados tanto pelos adultos, que raspam o caule e desfiam os tecidos, como pelas larvas, brocando e provocando o surgimento de galha. O controle químico desse inseto não tem sido eficiente. As larvas ficam protegidas no interior das galhas e os adultos, além de emergirem do solo por um longo período, ficam a maior parte do tempo sob a folhagem da soja nas partes baixas da planta. Algumas práticas culturais podem ser utilizadas para, gradualmente, diminuir a sua ocorrência.
Nível de dano - Nos locais em que, na safra anterior, foram observados ataques severos do inseto, antes de planejar o cultivo da safra seguinte, deve-se avaliar o grau de infestação na entressafra. Para cada 10 ha, retirar quatro amostras de solo, centradas nas antigas fileiras de soja, com 1m de comprimento e largura e profundidade de uma pá de corte. Contar o número de larvas hibernantes. Para cada três a seis larvas/amostra, há possibilidade de uma ou duas atingirem o estádio adulto, podendo causar uma quebra de sete a 14 sacas de soja por hectare, na safra seguinte. Em lavoura de soja já estabelecida, o controle do inseto se justifica quando a população atinge um adulto por metro de fileira, em plantas com duas folhas trifolioladas, e dois adultos por metro linear, em plantas com três a cinco folhas trifolioladas (Tabela 10.2).
Controle - A rotação de culturas é a técnica mais eficiente para o seu manejo, mas sempre associada a outras estratégias, como plantas-iscas e controle químico na bordadura da lavoura. Resultados recentes de pesquisas têm mostrado reduzido percentual de plantas mortas e danificadas e maior produtividade, no final do período de rotação soja-milho-soja, quando comparado ao monocultivo de soja. Assim, onde forem detectadas larvas no solo, na entressafra, pelo processo acima descrito, é indicado substituir a soja por uma espécie não hospedeira (milho, milheto, sorgo ou girassol), para interromper o ciclo biológico do inseto. Aumenta a eficiência de controle circundar a espécie não hospedeira com uma hospedeira preferencial (soja, feijão ou lab-lab), que funcionará como planta-isca, atraindo e mantendo os insetos na bordadura da lavoura. Nesse caso, pulverizar com inseticida químico (Tabela 10.5) apenas uma faixa de 25 m na face interna dessa bordadura, nos meses de novembro e dezembro, quando a maior parte dos adultos sai do solo, e repetir o controle sempre que o inseto atingir os níveis de dano, conforme a fase da cultura. As pulverizações noturnas, entre às 22 h e às 2 h, são mais eficientes, pois a maioria dos adultos, nesse período, encontra-se na parte superior das plantas, em acasalamento. Em área não infestada, em região onde ocorre essa praga, para evitar que o inseto infeste toda a lavoura, semear uma bordadura de 40 a 50 m de largura, com sementes de soja tratadas com o inseticida fipronil (Tabela 10.5). Outra forma de controle do inseto na bordadura de plantas-iscas é o controle mecânico, roçando a soja e, conseqüentemente, matando as larvas presentes nas plantas. Essa operação deve ser feita aos 40-50 dias após a detecção das primeiras hastes de soja raspadas pelos adultos, matando as larvas antes de sua entrada no solo para hibernação.
“Corós” - O complexo de corós é um grupo de insetos que vem causando danos à soja, especialmente no Paraná, em Goiás e no Mato Grosso do Sul. Ocorre, também, no Mato Grosso, no sudoeste do Estado de São Paulo e na região do Triângulo Mineiro, em Minas Gerais. A espécie predominante varia de região para região, mas todas têm hábitos semelhantes e causam o mesmo tipo de dano à soja. Os sintomas de ataque vão desde amarelecimento das folhas e redução do crescimento até morte das plantas e são visualizados em reboleiras. O número de plantas mortas pode variar com a época de semeadura e com a população e o tamanho das larvas na área.
Danos à soja - os danos são causados pelas larvas, principalmente a partir do 2º ínstar, as quais consomem raízes. No início do desenvolvimento das plantas, uma larva com 1,5 a 2 cm de comprimento, para cada quatro plantas, reduz o volume de raízes em cerca de 35%, e uma larva de 3 cm, no mesmo nível populacional, causa redução de 60% ou mais nas raízes, podendo causar a morte da plântula. Para a maioria das espécies, na fase adulta apenas a fêmea se alimenta, ingerindo folhas, sem contudo, causar prejuízos à soja.
Controle - o manejo de corós, em soja, deve ser baseado em um conjunto de medidas que, integradas, possam permitir a convivência da cultura com o inseto. O cultivo de milho ou outra cultura em safrinha nos talhões infestados por corós deve ser evitado, pois essa prática aumentará a população na safra seguinte. O controle químico só é viável quando a semeadura é feita na presença de larvas com mais de 1 cm, entretanto, a proteção das plantas, em geral, é apenas inicial e, ainda, não há nenhum inseticida eficiente e registrado para essa finalidade, em soja. Os adultos são mais sensíveis aos inseticidas do que as larvas, mas seu controle por produtos químicos também é difícil, em função do seu comportamento. A aração do solo, nas horas mais quentes do dia, com implementos que atingem maior profundidade, pode, em alguns casos, diminuir a população, através de dano mecânico às larvas, da sua exposição a aves e a outros predadores e do deslocamento de larvas em diapausa e pupas para camadas do solo mais superficiais. Porém, o revolvimento do solo em áreas de semeadura direta, única e exclusivamente com objetivo de controlar esse inseto, não é indicado. Qualquer medida que favoreça o desenvolvimento radicular da planta, como evitar a formação de camadas adensadas e correção da fertilidade e acidez do solo, aumentará também a tolerância da soja aos insetos rizófagos.
“Percevejo-castanho-da-raiz” - Há registro da ocorrência de duas espécies da família Cydnidae que sugam a raiz de soja, em várias regiões do Brasil: Scaptocoris castanea e Atarsocoris brachiariae. A ocorrência dessa praga era esporádica em várias regiões e culturas, mas, a partir da década de 90, o problema em soja e outras culturas começou a ser mais freqüente. Pode ocorrer tanto em semeadura direta, como em convencional. É uma praga de hábito subterrâneo e tanto as ninfascomo os adultos atacam as raízes das plantas. Sua ocorrência como praga é mais freqüênte na Região Centro-Oeste, mas sua incidência vem crescendo também em São Paulo e Minas Gerais. Foram, ainda, registrados focos isolados em lavouras de soja no Paraná e em Rondônia.
Danos à soja - Atualmente, os prejuízos causados à soja por essa praga são bastante significativos, especialmente na Região Centro-Oeste, onde as perdas de produção, nas reboleiras de plantas atacadas, variam de 15% a 70%, dependendo da época do ataque.
Controle - O manejo dessa praga é difícil e ainda não há nenhum método eficiente para o seu controle. O controle químico, até o momento, tem se mostrado pouco viável, em função do hábito subterrâneo do inseto, não havendo, ainda, nenhum produto registrado para essa finalidade, para a cultura da soja.
10.5. Manuseio de inseticidas e descarte de embalagens
* Utilizar inseticidas devidamente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para uso na cultura da soja e para a praga-alvo que deseja controlar. O número do registro consta no rótulo do produto.
* Usar equipamento de proteção individual (EPI) apropriado, em todas as etapas de manuseio de agrotóxicos (abastecimento do pulverizador, aplicação e lavagem de equipamentos e embalagens), a fim de evitar possíveis intoxicações.
* Não fazer mistura em tanque, de dois inseticidas, ou de inseticida (s) com outro (s) agrotóxico (s), procedimento proibido por lei (Instrução Normativa do MAPA nº 46, de julho de 2002).
* Evitar aplicações em dias ou em horários com ventos fortes, visando reduzir a deriva dos jatos, tornando mais eficiente a aplicação e reduzindo possíveis contaminações de áreas vizinhas.
* Observar o período de carência do produto (período compreendido entre a data da aplicação e a colheita da soja), principalmente no controle de pragas de final de ciclo da cultura (percevejos, por exemplo).
* Ler com atenção o rótulo e a bula do produto e seguir todas as orientações e os cuidados com o descarte das embalagens.
* Devolver as embalagens vazias (após a tríplice lavagem das embalagens de produtos líquidos), no prazo de um ano após a compra do produto, ao posto de recebimento indicado na nota fiscal de compra, conforme legislação do MAPA (Lei 9.974, de 06/06/2000 e Decreto 4.074, de 04/01/2002).
Fonte:http://www.cnpso.embrapa.br/producaosoja/manejoi.htm

