terça-feira, 6 de julho de 2010

Incineração e queima do lixo


INCINERAÇÃO DO LIXO

DOS SERVIÇOS DE SAÚDE E HOSPITALAR



A incineração do lixo hospitalar não é obrigatória como meio de tratamento, porém é considerada a melhor alternativa de tratamento, pelos seguintes fatores:




reduz drasticamente o volume de resíduo, sobrando uma pequena quantidade de cinzas;

é um processo simples apesar de crítico quanto ao cumprimento dos procedimentos operacionais;

como desvantagem, existe a emissão de compostos tóxicos como as dioxinas e furanos, caso a usina não seja projetada e operada adequadamente.

A geração do lixo hospitalar é quase cem vezes menor que a do lixo municipal levando, em geral, à utilização de usinas pequenas. No Estado de São Paulo, atualmente, mais de trinta municípios possuem seu próprio incinerador de lixo hospitalar.




Cabe ressaltar que o seu caráter de resíduo perigoso exige o correto rigor operacional. Além disso, seu conteúdo energético é muito maior que o do lixo municipal, tornado atrativa a recuperação de energia. Neste sentido, na tomada de decisão deve-se considerar, à medida que a geração de lixo hospitalar aumenta:


envio a municípios/ empresas que possuam incinerador;

contratação de prestação de serviços sem aquisição do equipamento;

aquisição de unidade pequena para tratar somente o lixo hospitalar do próprio gerador;

usina grande construída em consórcio e prestando serviços a outros geradores.

O lixo hospitalar varia sempre de composição, principalmente, por ser constituído de sobras e ter procedência variada.

O sucesso da incineração pode ser fortemente afetado pela variabilidade do resíduo e sua embalagem.

Uma vez definida no projeto do incinerador a composição dos resíduos a serem incinerados, é exigido pelo órgão de controle de meio ambiente um plano mínimo de monitoramento, que se torna mais complexo e caro à medida que se deseje incinerar substâncias mais perigosas em maior quantidade e variedade.

Por isso, ao se planejar o teste de queima é importante estabelecer o equilíbrio entre versatilidade na aceitação de diferentes resíduos e o rigor na triagem durante sua recepção (tipo e freqüência de análises e critérios de aceitação).

No lixo hospitalar pode-se encontrar substâncias perigosas como acetona, metanol, xileno e, até mesmo, metais tóxicos provenientes de baterias retiradas de equipamentos eletrônicos. Alguns metais pesados são extremamente tóxicos para o ser humano e exigem tratamento especial.

A admissão de resíduos com composição muito diferente da esperada pode causar problemas de gravidade variável, tais como:


contaminação da corrente gasosa, líquida e/ ou das cinzas. Ex.: metais pesados;

danos ao revestimento refratário e grelhas. Ex.: excesso de substâncias com PCI elevado (polietileno), excesso de flúor, vidros;

explosões. Ex.: explosivos e substâncias instáveis ou muito reativas;

desgaste do revestimento refratário. Ex.: alto teor de Sódio (sal de cozinha);

corrosão. Ex.: altos teores de Enxofre e/ou Cloro (sulfato, sal de cozinha, PVC);

combustão incompleta. Ex.: sólidos em pedaços grandes (tocos de madeira, vidros, gesso ortopédico);

consumo excessivo de combustível. Ex.: resíduo muito úmido (o lixo urbano, geralmente, tem mais de 40% de água);

geração de monóxido de Carbono (CO) e material particulado (m.p.) em excesso. Ex.: PCI alto e variável, como na alternância de plásticos e material anatômico (órgãos e tecidos de cirurgias) do lixo hospitalar.

O lixo hospitalar, geralmente, é acondicionado em sacos plásticos e alimentados manualmente em pequenos incineradores.

Os tipos de incineradores mais usados são:


Câmaras múltiplas:
consiste basicamente em duas câmaras em série separadas por chicanas para decantação de m.p. via regra. Apenas na segunda câmara é mantido um queimador para garantir as condições típicas de combustão secundária.

Ar controlado:
este tipo de incinerador opera, em sua câmara primária, com vazão de ar abaixo do necessário para a combustão completa, tornando a queima lenta e com baixa geração de m.p.

Na câmara secundária, os gases são aquecidos a aproximadamente 900 graus, destruindo os compostos tóxicos.

A energia gerada na queima pode dispensar o uso do combustível auxiliar durante operação manual. A pureza dos gases de combustão dependerá da homogeneidade do resíduo alimentado.

Quanto ao tamanho do incinerador : entre 0,5 toneladas/dia e 20 toneladas/dia existem muitas alternativas para a seleção de um incinerador.

Dois fatores estratégicos são centrais na decisão de se instalar um incinerador:


o investimento é alto, podendo ultrapassar 2 milhões de dólares para unidades de 20 toneladas/dia;

o custo de transporte dos resíduos é pequeno em comparação ao custo de incineração, tornando viável incinerar em unidades distantes (mais de l00 quilômetros)

Cidades com até 50 mil habitantes podem utilizar incineradores pequenos, com capacidade da ordem de 0,5 tonelada/dia, para destruir seu lixo hospitalar. Nesta escala, caso seja necessário aumentar a capacidade, pode-se adquirir novos módulos idênticos e aproveitar os conhecimentos de operação e manutenção.

Os municípios com população na faixa de 50 a 500 mil habitantes, com eventual necessidade de destruir resíduos (os mais variados como os industriais), podem considerar a utilização de incineração em forno rotativo com capacidade da ordem de 5 toneladas/dia.

Fonte:http://lixohospitalar.vilabol.uol.com.br/Incineracao_do_lixo.html



Queima do lixo tóxico continua a todo vapor
A Tarde On Line

A incineração do solo contaminado com resíduos tóxicos perigosos continua a todo vapor, apesar dos apelos do Ibama, de médicos, químicos, ambientalistas, sindicatos (petroquímico e de trabalhadores em água e esgoto) e da ONG (Organização Não Governamental) ACPO (Associação de Combate aos Poluentes Orgânicos Persistentes). Até o dia 13 de fevereiro, mais de 800 toneladas dos resíduos organoclorados tinham sido queimados no pátio de incineração da Cetrel (Empresa de Proteção Ambiental do Pólo Petroquímico de Camaçari), a 45 km de Salvador.

Na semana passada, mais 200 toneladas foram entregues na Cetrel, viajando 2.350 km da Estação de Espera da multinacional francesa Rhodia, de São Vicente (SP), por onde ficaram por décadas sem solução, até Camaçari, passando por diversos municípios dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, totalizando 3.800 toneladas.

O presidente da Comaal (Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa), deputado Zilton Rocha (PT), entregou um dossiê com informações sobre o caso Rhodia ao Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, no dia 13 de fevereiro, pedindo que o órgão acompanhasse o caso.

O Ministério Público Federal e Estadual junto com a Procuradoria da República, estudam qual a melhor medida a ser tomada. Obtiveram pareceres de diversos experts sobre os efeitos da incineração e do alto risco à saúde humana e ao meio ambiente provocados pela emissão dos gases para a atmosfera, conhecidos como dioxinas e furanos, resultantes da queima dos organoclorados, e das cinzas tóxicas do solo. O MP de São Paulo também está colaborando com troca de informações de uma investigação de dez anos. O Tribunal de Justiça de São Paulo mandou suspender as atividades industriais e de incineração da Rhodia em Cubatão devido ao alto risco de intoxicação humana e ambiental.

Riscos
As dioxinas e furanos são as substâncias químicas mais venenosas criadas pelo homem, poluentes altamente tóxicos, que não se destroem por completo (são biopersistentes), bioacumulativas e cancerígenas. A Cetrel informa que a emissão de dioxinas e furanos é de 0,07 ng/Nm3. A legislação ambiental paulista determina um nível máximo de emissão de dioxinas e furanos de 0,14 ngNm3, enquanto a legislação ambiental baiana permite até 0,50 ngNm3. “É uma emissão de dioxinas 257% maior, mas sabemos que mesmo ínfimas taxas de emissão desses gases põem em risco a saúde pública por agentes cancerígenos e mutagênicos”, afirmou a advogada da ACPO, Liana Mascarenhas.

A médica-sanitarista da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, Agnes Soares, examinou moradores de São Vicente e Cubatão e constatou que 100% das pessoas estavam contaminadas com os elementos químicos. Segundo ela, são altamente tóxicos, de fácil absorção e armazenamento pelos organismos vivos, acumulando-se principalmente no fígado, rins e tecidos gordurosos. Mesmo após anos de exposição, o elemento persiste no sangue, no leite materno e em biópsias do tecido gorduroso. “Não se deve esperar que uma catástrofe maior aconteça. As pessoas não podem conviver tão próximas do lixo químico e nem dos resíduos venenosos da incineração”, sugere Agnes Soares.

“Precisamos ter certeza de todos os riscos”
Tanto a Cetrel quanto o CRA afirmam que a empresa baiana atende à legislação ambiental vigente e é a única no País com competência e qualidade para incinerar esse tipo de resíduo contaminado. A Rhodia informou que a escolha pela Cetrel foi econômica. De acordo com investigações do MP, em Osasco (SP) existe um incinerador do mesmo calibre e qualidade do de Camaçari. Em Taboão da Serra (SP), a mesma tecnologia de incineração da Cetrel, da empresa Essensis, foi reprovada para incinerar os resíduos tóxicos da Rhodia, mas é aprovada pelas leis baianas.

“A Cetrel quer fazer todo mundo acreditar que ela é a única capaz de processar o lixo tóxico, quando na verdade há outros interesses envolvidos. Precisamos ter certeza de todos os riscos e efeitos causados pela estocagem e incineração a que estão expostos os baianos, já que os especialistas afirmam que o cloro em si é uma substância perigosíssima e nunca eliminada pela incineração”, informou o coordenador do Centro de Apoio às Promotorias do Meio Ambiente, Carlos Martheo.

No dia 11 de fevereiro, a Cetrel publicou no jornal “A Tribuna da Bahia” um pedido de licença de alteração da unidade de incineração de resíduos sólidos ao CRA. “Porque agora que estamos nos mobilizando para solicitar auditoria na Cetrel e pedir a suspensão da incineração ela vem pedir uma licença de alteração? O que ela tem a esconder? O desejo geral é que a incineração pare imediatamente e retorne ao seu local de origem e que o órgão ambiental cumpra seu papel fiscalizador”, acusa Zilton Rocha, que requereu informações ao CRA sobre o pedido de alteração e os estudos que o acompanham.

Divergências
Primeiro a Cetrel afirmou que o contrato com a Rhodia era para incinerar 3.600 toneladas. Agora o MP já sabe que o contrato é para queimar cinco mil toneladas e que o CRA renovou a licença ambiental da Cetrel para transportar produtos perigosos por três anos; e para processar até mil toneladas por mês de solos contaminados. A Cetrel afirmou que todo o solo contaminado já se encontra na empresa. O CRA informou que apenas 60% do material tinha chegado e forneceu cópia do relatório das transportadoras com data e rota dos caminhões, até o mês de março.

Em audiência com a promotora de Camaçari, Trícia Nunes, representantes da Cetrel afirmaram que tinham queimado apenas 150 toneladas. Já passam de 800 e continua a cada dia em ritmo acelerado, já que existe a ameaça do pedido de liminar para suspender a queima do solo contaminado e a Cetrel recebe da Rhodia por tonelada incinerada. Informaram também à promotora que não existiam organoclorados no material. Segundo informações fornecidas pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo), a composição do solo contaminado é de hexaclorobutadieno, tetraclorobenzeno, pentaclorofenol, pentaclorobenzeno, hexaclorobenzeno e cloro, todos conhecidos como organoclorados, derivados da produção industrial de solventes clorados da unidade da Rhodia, em Cubatão.

O diretor-superintendente da Cetrel, Carlos Eugênio, afirmou que a empresa não é obrigada a fazer testes de queima de cada tipo de resíduo e que estes são feitos de dois em dois anos. Apesar de não ter sido feito nenhum teste que meça a quantidade de toxinas presentes nas emissões atmosféricas, ele afirma que os parâmetros estão bem abaixo do que exige a legislação baiana e que as cinzas estão dentro do padrão permitido por lei. “Cada teste de incineração custa R$ 100 mil, não tem como medir tudo o que está sendo incinerado”. Carlos Eugênio informou também que o pedido de licença de alteração na incineração faz parte de uma rotina da empresa.

Fonte:http://www.riosvivos.org.br/canal.php?mat=2879

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